CAMPANHA: “A vida do policial importa”

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Uma campanha idealizada no mês de fevereiro passado tomou conta das redes sociais. Tratava-se de uma reflexão junto a sociedade da importância da vida do policial, seja ele Policial Civil, Policial Militar, Policial Rodoviário Federal ou Policial Federal.

Passados dois meses da campanha, onde vários vídeos (veja abaixo) de inúmeras personalidades da mídia brasileira fizeram questão de participar, parece que os governos, principais protagonistas, não levaram à sério e não se engajaram.

Os números assustam, e segundo os dados publicados no Anuário de Segurança Pública de 2015, pelo menos um policial é morto por dia no país. Pesquisa efetuada durante a realização do Fórum Brasileiro de Segurança Pública no ano passado informam que dos entrevistados pelo menos 61,9% declararam que tiveram um colega morto em ações policiais.

Recentemente o cineasta José Padilha, diretor de Tropa de Elite e da série Narcos declarou que o absurdo foi naturalizado no Brasil, e a facilidade como a sociedade aceita o morticínio de policiais deixa o fato constatado por Padilha mais evidente.

A face mais repugnante da facilidade pelo qual policiais são vitimados é a vulnerabilidade de sua profissão. Porém, não podemos deixar de destacar que existe um “Sistema” que contribui para essa fragilidade. A falta de investimento em material e equipamentos, a desvalorização da mão de obra humana, falta de planos de carreira, promoções, baixos salários, um sistema de saúde eficiente e eficaz e, pasmem, existem locais no país onde o policial precisa levar até mesmo o papel higiênico para o trabalho para utilizar nas suas necessidades fisiológicas, também contribuem, e muito. Isso sem contar o fator psicológico, completamente abandonado e esquecido, onde raríssimas instituições promovem essa assistência ao profissional.

Passando para nossa realidade, tivemos uma surpresa recente em relação à aquisição dos coletes balísticos para os policiais militares. Pregão iniciado no ano passado foi cancelado com nota publicada no Diário Oficial do DF no seguinte teor: “A Polícia Militar indica que o Pregão Eletrônico nº 35/2015 foi cancelado na aceitação. Motivo: amostra do colete reprovada, conforme norma editalícia. Objeto: Aquisição mediante sistema de registro de preços, de equipamento de proteção individual (EPI), do tipo colete de proteção balística, para atender a demanda da PMDF” (Grifo nosso).

Segundo a Polícia Militar, os coletes foram reprovados durante os testes. Nada mais do que justo, afinal, trata-se da proteção à vida do policial. Mas ao mesmo tempo se questiona: Onde está a análise das possíveis fornecedoras de determinados materiais? Onde está a qualificação e credibilidade a ser observada a determinadas empresas? E agora? Sabemos que uma nova licitação leva, no mínimo, seis meses para sua concretização. Até lá o que será da vida desses policiais, pois segundo levantamentos, muitos coletes balísticos já se encontram vencidos.

Não podemos deixar de ser justos em relação a algumas providências que estão sendo adotadas no âmbito da PMDF. Em publicação agora do dia 14/04 no DODF, a instituição abre um Pregão para a contratação de serviços de saúde através das Organizações Sociais. De uma forma geral essas organizações foram e estão sendo bastante criticadas em diversos estados do país, mas a necessidade fala mais alto e precisamos saber como isso acontecerá aqui no DF. O que diz a publicação: A Polícia Militar torna público o EDITAL DE CHAMAMENTO PÚBLICO 001/2016 para a seleção de uma entidade de direito privado sem fins lucrativos, qualificada como Organização Social de Saúde no Distrito Federal, a fim de celebrar Contrato de Gestão visando o gerenciamento institucional e a oferta de ações e serviços em saúde assistenciais e não assistenciais, em tempo integral (24 horas/dia), no Centro Médico da Polícia Militar do Distrito Federal (CMed/PMDF), localizado no Setor Policial Sul, Área Especial 3/4 – Asa Sul – DF. O Edital poderá ser adquirido gratuitamente pelo site: http://www.pmdf.df.gov.br, (grifo nosso).

Diante do exposto, medidas urgentes precisam ser adotadas pelos governos para, primeiro, conter a onda de morticínio de policiais. Segundo, uma forma de incentivo e proteção dos policiais adequando a atual realidade da segurança pública no país. E por fim, e isso seria fundamental, a ação nas causas dos problemas. A conscientização da sociedade é de suma importância, afinal, é para ela que existe a polícia, o policial.

Pior isso, “A vida do policial importa”…E muito.

Por Poliglota…

Veja os depoimentos: