Golpe??? Sim… mas na democracia brasileira

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A mídia em conjunto com o STF bolivariano aplicou um verdadeiro golpe na democracia ontem no episódio do Eduardo Cunha.

Não há previsão constitucional para a suspensão judicial do exercício do mandato parlamentar. Trata-se de uma intervenção indevida de um poder em outro.

A questão em jogo aqui não é a corrupção. Até porque, se o fosse, mais da metade do Congresso Nacional deveria ter sido afastada no mesmo ato.

O que está em jogo aqui é o casuísmo do STF, que também deve obediência à constituição federal.

Se ao Supremo é dado, ainda que excepcionalmente, construir soluções não previstas no texto constitucional, qual é a garantia que se tem que ele próprio (STF) não agirá arbitrariamente em outras questões?

Hoje todos estão contentes com a decisão, todavia, amanhã ela pode nos surpreender negativamente.

Se o Supremo pode suspender um mandato parlamentar, porque não poderia devolver o mandato de uma presidente que sofreu um processo de impeachment?

A mídia nunca escondeu de ninguém sua sina de sacar Eduardo Cunha do poder. O noticiário é prova disso! Deram à cassação dele um protagonismo bem maior do que toda a sujeira do petrolão.

A pauta que Cunha estabeleceu na Câmara colidia frontalmente com a que a mídia queria.

A um só tempo, Cunha desagradou a mídia, o STF bolivariano nomeado pelo PT e a classe política contrária ao processo de impeachment.

Pagou o preço por isso!

Quero ver esta coragem toda do STF para julgar o caso do Lula, da Dilma e do Renan.

A partir de ontem, a sigla STF passa a ter a seguinte denominação: Supremo Tribunal do FORO (de São Paulo).

Por Eduardo Diniz