DF tem rede de serviços de apoio às mulheres vítimas de violência

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Muitos casos revelam a recuperação total de quem participa das atividades

O Distrito Federal conta com uma rede de serviços, ações, instituições públicas, além de ONGs, pensados para o resgate de mulheres vítimas de violência. O Correio listou alguns. Um desses apoios pode vir logo no primeiro ato para encerrar esse ciclo de agressões e humilhações, a hora da denúncia. Na Casa da Mulher Brasileira, há uma unidade da Delegacia da Mulher (Deam). Também tem juizado especial, representantes do Ministério Público e equipe multidisciplinar para acompanhamento psicológico.

Agora, a aposta da Casa tem sido a recuperação total dessa vítima, com cursos de preparo profissional e readaptação ao mercado de trabalho. Em muitos casos, a mulher é dependente do companheiro, estatisticamente comprovado como sendo, na maioria das vezes, os agressores. As iniciativas fazem parte do Serviço de Promoção à Autonomia Econômica. “São dois tipos de dependência: emocional e financeira. Uma está ligada à outra. Não adianta libertar de uma e manter a outra; por isso, fazemos o resgate dessa mulher com o Ceam, os atendimentos do serviço psicossocial, e com os cursos, nos quais aprenderão novas profissões e irão para o mercado de trabalho”, explica a coordenadora pelo GDF da Casa da Mulher Brasileira, Iara Lobo.

São quatro tipos de curso: cuidador de idosos, assistente administrativo, recepcionista e massoterapeuta. Além das aulas, as mulheres ganham uma bolsa simbólica com recursos para deslocamento e alimentação. “A princípio, as primeiras vagas são para mulheres que estão saindo da Casa Abrigo. Os Cras e os Creas também fazem uma seleção de perfis de vulnerabilidade e de situação de violência e nos enviam”, revela Iara.

Volta por cima

Maria Aparecida Ribeiro, 29 anos, sofreu abusos do pai até os 3 anos. O homem que deveria protegê-la era quem a maltratava. Assim, com 4, já estava nas ruas. “Eu tentava falar para a minha mãe, os meus irmãos falavam, mas ela não acreditava na gente. Preferiu ficar do lado dele. Colocou todos os filhos para fora e ficou só com meu pai lá em casa”, lembra. Em praticamente 25 anos sem rumo, Maria foi violentada outras vezes, apanhou da polícia e chegou a responder por furto. “Se a violência não tivesse começado dentro da minha casa, nada disso teria acontecido”, lamenta.

A volta por cima dela chegou por meio da Revista Traços, projeto social desenvolvido no DF a partir de uma junção de esforços. O objetivo é ajudar as pessoas em situação de rua. Maria abraçou a chance. Hoje, é uma porta-voz da cultura. Recebe R$ 4 dos R$ 5 pagos pela revista, de tiragem mensal. Com o R$ 1 restante, compra outro exemplar. É uma roda que não para de girar. “Saí das ruas, pago o meu aluguel, as minhas compras e parte do material dos meus filhos. Não existe mais aquela vida. Gosto de pegar as revistas e vender. É digno”, comenta.

Fonte: CB