“Federalizar” as forças policiais é a resposta?

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Por Nelson G. Souza*

Recentemente, tomei conhecimento através de uma rede social, que o deputado Laerte Bessa está propondo a “federalização” das forças de segurança pública do Distrito Federal. Pergunto: qual será a reação dos demais entes da federação, considerando que o DF tem sido apontado como referência, em especial salarial, para as organizações policiais dos demais estados? Se de um lado a PCDF reclama paridade com a PF, de outro, as polícias civis dos demais entes, com exceções de sempre, reclamam paridade com a PCDF. O mesmo ocorre com a PMDF e as demais PM. Isso traria (como já traz) sérios problemas para os demais estados e não parece ser a solução para a questão salarial no DF, sendo só esse, ao meu ver, o pano de fundo da proposta do deputado.

Entendo que, sim, tal questão deva ser tratada através de legislação que obrigue, de forma inequívoca, sob pena de responsabilização, a destinação das verbas do Fundo Constitucional de modo claro e certo. Do modo que se encontra atualmente, o governador do DF pode (e vem fazendo) manipular a destinação conforme seus interesses e esse, me parece, tem sido o problema recorrente. Isso corrigido, possivelmente teremos menos dissabores. A esta correção na legislação, junte-se a obrigação, também, de uma correção automática a partir de um indexador previamente definido na própria lei. Com isso, acredito, teríamos menos problemas e alcançaríamos certa estabilidade salarial em patamares condizentes com a complexidade e relevância das organizações policiais, sem as distinções “fabricadas” por alguns defensores de uma hierarquia de relevância institucional.

Aliado ao anterior, também acredito que a definição dos dirigentes das instituições policiais estaduais, em todo o Brasil, deveria ser objeto de escolha, a partir de lista tríplice, da qual o governador não poderia se furtar, e que o escolhido tivesse um mandato inamovível (exceto em casos com previsão em lei) de, pelo menos, dois anos. Isso daria tempo de se construir e implementar políticas e ações de direção e comando coerentes e responsáveis. Atualmente, no DF, mudar dirigentes, pelos motivos os mais fúteis (do ponto de vista da relevância da função), tem sido a solução adotada para dar satisfação à sociedade, como se isso mudasse o curso das coisas, em especial da criminalidade no DF. Tal solução, além de fabricar crises na segurança pública do DF, historicamente, não tem produzido qualquer efeito nos problemas de segurança pública locais, os quais, na verdade, vêm se arrastando com assustadora estabilidade nas últimas três décadas.

Voltando à proposta do deputado, se de um lado o único compromisso é sua permanência na câmara e, por isso, fala, escreve e promete qualquer coisa, do outro, se tem os incautos que ainda acreditam no caldeirão de ouro no final do arco-íris. É uma pena, mas nós policiais ainda temos muito que aprender ao nos relacionarmos com a política e, principalmente, com os políticos.

Penso que os deputados que dizem nos representar, deveriam ser mais coerentes e responsáveis com suas propostas, evitando o imediatismo próprio das ações e decisões que nos têm levado, contínua e inexoravelmente, a condições desastrosas com difícil, senão impossível, possibilidade de reversão, como as que temos visto nos últimos anos, seja em termos salariais ou estruturais.

FEDERALIZAÇÃO 1* Nelson G. Souza é policial militar, cientista policial, mestre em gestão do conhecimento e doutorando em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações.

5 COMENTÁRIOS

  1. Poliglota amigo que tal mudar o foco de suas postagens como aumento salarial ,paridade com índices da PC, promoção ,plano de carreira e mudanças no código RDE e se possível vc tirar o saco do Fraga da boca para o camarada sair da inércia e fazer algo para PM e BM ,enquanto isso o Bessa nos chinga por desejar aumento salarial, como se só os balconistas pudesse reivindicar esse pleito ,estamos sem representatividade o Fraga só faz merda lei porca na câmara e vc ainda babá ovo do cara… também depois de tantos anos nessa função e difícil deixar esse velhos hábitos…POLIGLOTA ISSO E FEIO. A propósito sou um fake kkkkkkkkkkk

  2. Carlos André Nelson G. Souza é policial militar, cientista policial, mestre em gestão do conhecimento e doutorando em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações. Mas alguém fale para o senhor Nelson que nem a PCDF nem a PMDF tem mais o maior salário do Brasil há muito tempo. Será que os outros estados estão querendo ainda se equiparar com as forças de segurança do DF mesmo?

  3. Olá, Carlos, agradeço o alerta e digo que não é necessário me informar a respeito do salário da PMDF em relação às demais. Tenho acompanhado essa discussão há tempo suficiente para conhecê-la em suas diferentes nuances. Na verdade, não se trata de se ter ou não o maior salário e, sim, de se ser referência para as demais, como historicamente a PMDF vem sendo, senão por conta do salário, por outras razões, cuja maioria nos orgulha, excetuando-se aquelas em situações que, infelizmente, revelam imaturidade no trato com questões institucionais de relevância, como vem sendo o caso das articulações políticas conduzidas por diferentes setores da corporação. Manter-se como referência positiva, me parece, deve ser um, dentre tantos, objetivos de instituições essenciais como é a PMDF e seus integrantes, mesmo que, sabemos, seja comum o não reconhecimento e nosso trabalho e dos resultados que produzimos. Veja o caso dos bombeiros e das próprias Forças Armadas. Os primeiros, tal como nós policiais militares (e no DF isso é ainda mais marcante), com salários iguais, estão sempre na lista das instituições mais admiradas. Isso também é importante. As Forças Armadas, que há muito já não são referência salarial para nós, também se constituem em importante referência positiva para a população. Portanto, a busca por melhores salários é justa e deve ser constante, mas a busca pelo apoio dos diferentes setores da sociedade é que dará o necessário suporte e legitimidade para nossos pleitos. Observe que a PCDF está perdendo legitimidade em seu movimento e isso pode desaguar no insucesso do alcance das demandas que eles têm apresentado. De resto, me coloco à sua disposição para discutirmos, caso entenda que isso seja possível e importante, questões que nos afetam a todos os policiais militares do DF, direta ou indiretamente. Quem sabe, com tais discussões, não possamos revelar ideias e contribuições positivas para aqueles que, de alguma forma, possam nos ajudar a avançar em nossas pretensões como categoria profissional. Se estamos criticando o deputado Bessa porque nos “xinga” e desqualifica nossos integrantes, igualar-nos a ele, principalmente no trato entre nós mesmos, não me parece que trará muitos benefícios. Um abraço!

  4. Já começou a covardia com quem faz segurança pública no DF, a começar com o não baixar o interstício para promoções dos praças, e se não bastasse esses negociadores da PCDF covardes nos colocando contra todos dizendo que nós recebemos isto ou aquilo de aumento, covardes isto é oque eles são! Vamos ver se nossos gestores não ficaram calados e possamos avançar com uma proposta, que também venha nos agraciar de maneira satisfatória, pois não somos covardes combatemos o bom combate diuturnamente e somos merecedores sim. Pena que não podemos desabafar como queria principalmente contra estes covardes cheios de mi,mi,mi que nunca esquecerei eles PCDF, nos ameaçando lá ao lado do mané garrincha com suas armas abrindo seus coletes e mostrando armas para nós PMDF em sua greve em meados dos anos 2000,quando viviam debaixo das asas do de um certo governo que nós sabemos. Tenho certeza que iremos nós PMDF, iremos construir uma saída para nós com diálogo e o governador e nossos comandantes não nos deixarão para trás afinal fazemos segurança até pros mi,mi,mi se não o DF estaria perdido. Este é pequeno desabafo de quem preza por segurança de todos com o sangue nas veias não com covardia com a população sofrida de nossa cidade. DEUS seja conosco em nossas decisões.

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