PMDF: OS DECRETOS DAS DISCÓRDIAS

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As coisas não andam muito bem no alto escalão da Polícia Militar. O blog foi buscar informações do porquê de tanta preocupação nas redes sociais com um possível “desaparecimento” do atual subcomandante geral da corporação, coronel Santanna.

Nesse aspecto, as pesquisas são sempre difíceis, pois o corporativismo no meio do grande oficialato é uma barreira quase intransponível. Mas como eu disse, “quase”, pois sempre existe alguém disposto a falar, e falar com propriedade e conhecimento de causa.

Segundo a fonte consultada pelo blog, tudo começou com a edição do Decreto nº 37.321 de 06/05/2016 que Regulamenta o inciso II do art. 48 da Lei nº 6.450, de 14 de outubro de 1977, definindo os órgãos de apoio e de execução da Polícia Militar do Distrito Federal. Esse Decreto reestrutura a Polícia Militar e dá novas atribuições ao alto escalão da corporação. “O Decreto, contudo, sequer cita o que realiza o Subcomandante-Geral, transferindo as atribuições que antes eram obviamente coordenadas por esse cargo em 15 menções diretas ao Chefe do Estado Maior. Pelo que tenho observado, existe uma briga de egos enorme e a tentativa de anulação das funções administrativas do subcomandante da PM. O Decreto 37.321, ainda submete praticamente tudo “As diretrizes do CHEM”, ou seja, anula o subcomandante da PM. Observe porque digo isso: Art. 46. “O Estado-Maior, os órgãos de direção geral, os órgãos de direção setorial, os órgãos de direção setorial operacional, os órgãos de apoio, os órgãos de execução regionais de nível tático e os órgãos de execução especializados de nível tático farão a gestão integrada das estruturas administrativas e das subunidades a eles subordinadas observando a otimização e a centralização das atividades meio e terão as suas sedes administrativas necessariamente agrupadas, exceto nas situações em que a medida denote contrariedade com o interesse público”, afirmou a fonte.

Coincidentemente, no dia 03 o Diário Oficial do DF, na edição de nº 207 (Clique aqui) foi publicado um novo Decreto que altera o Decreto nº 23.317, de 25 de outubro de 2002, que manda aplicar o Regulamento Disciplinar do Exército – Decreto Federal 4346, de 26 de agosto de 2002 – RDE, à Polícia Militar do Distrito Federal e ao Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. Nele, mais uma vez, a figura do subcomandante da corporação é simplesmente deixado de lado, diferente do Corpo de Bombeiros onde a redação está praticamente igual ao anterior que se revoga.

Um texto divulgado em um grupo de oficiais superiores da corporação no dia 1º/11 faz uma insinuação sobre o que está acontecendo em relação ao “desaparecimento” do subcomandante da corporação. Esse texto chegou às nossas mãos, porém o autor do mesmo não foi identificado e a fonte que nos encaminhou será preservada para evitar represálias. Leia abaixo a íntegra do texto (Grifo nosso):

“De onde vem tanta proteção a Rollemberg?

Como se não bastasse a proteção da Secretária Márcia Alencar, ao dizer que o Governador do PSB jamais a trairia, o comando da Segurança parece estar blindando o Chefe do Executivo do DF a qualquer custo. O estranho desaparecimento do Subcomandante-Geral da PMDF é a nova incógnita. O eloquente substituto de Nunes parece ter recebido ordem para sumir do mapa e ficar quieto, enquanto aguarda sua substituição. O Comandante também se reserva ao direito de permanecer calado, mesmo não querendo a saída do seu auxiliar direto. Mas ao que tudo indica o pensamento de Santana, Subcomandante de saída, e suas insistentes perguntas sobre a tropa desagradou o coronel da Casa Militar, Claudio Ribas. Como os outros que desafiaram o homem forte do governo, a geladeira deve ser o destino do rebelde estrelado. Estrelas que, aliás, já estavam tão escuras quanto o próprio coronel que se despede. Escreveu não leu, o pau comeu. O que mais intriga a todas as pessoas é a defesa de Rodrigo Rollemberg, feita por seu núcleo de segurança. Nada o atinge”.

Mediante o texto acima que, por sinal, traz uma possível conotação racista em um de seus trechos, o blog entrou em contato com o Coronel Santanna, então e atualmente subcomandante da PM, para esclarecimentos. Porém, o mesmo solicitou paciência, pois no momento oportuno nos atenderia uma vez que a situação da mensagem será tratada administrativamente. “Apesar das ofensas pessoais que estão no conteúdo do que circulou pelo WhatsApp, entende que o perdão cabe a todos, mesmo para aqueles que usam desse tipo de estratégia por não terem capacidade para atingir-me de outra forma”, disse o coronel.

Da redação,

Por Poliglota…

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3 COMENTÁRIOS

  1. Pra que serve o cargo do comandante geral (fantoche gratificado), sub fantoche e CHEM? Pra manter esse sistema porco e arcaico que só beneficia oficial QOPM em detrimento das praças. Cadê a redução de interstício, plano de carreira com entrada única, menos patentes militares, cadê o Fraga que em três mandatos nunca fez nada pelas praças, pois temos cabos com 17 anos de polícia.

  2. Não entendo a jeito que os senhores administradores “Oficiais” coordenam esta policia! Sei lá! Mais é impressionante o modo que se tomam decisões em pro da tropa. Pois podendo se pensar em melhores soluções para um serviço adequado, tranquilo e menos penoso para o policial, preferem ralar, lascar o policial. Não existe outra maneira de se pensar o contrario! Um grande exemplo e o serviço SVG. Mudaram a forma de escalar o policial! Quem concorre tem extrema necessidade por este serviço, onde seu valor encontra-se a tempos corroído pela inflação, ainda criam uma escala aleatória colocando um policial que mora em Planaltina para ir trabalhar no Gama por exemplo!Ou é muita maldade, sacanagem ou falta de gestão mesmo. Poderiam deixar menos do jeito que estava. Onde cada policial lançava seu nome para a área mais adequada para trabalhar. Ou poderiam pelo menos disponibilizar condução para locais mais distantes.