Desabafo: Quem verdadeiramente não se valoriza?

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Ouvi de alguns policiais esta semana: “Não vou defender quem não me valoriza(!!!).”  O militar se referia a sociedade. E ainda completou: “não vou defender uma Sociedade que não me valoriza”.

Eu pergunto, então:

Quem nos valoriza quando nós, não nos valorizamos? Algum policial sabe exatamente qual seu valor?

Qual seu valor para a sociedade? Qual seu valor para a instituição policial? Qual seu valor para o Estado? Afinal de contas: qual é o valor de um policial?

Quanto ou o que poderia ser o valor de um policial para que ele trabalhasse com dedicação, e empenho. Ser um ser produtivo, obstinado, dedicado?

Então vamos lá. Afinal estamos no Brasil!

O que nós fizemos nos últimos 15 anos para que a nossa valorização acontecesse?

O que nós (os policiais) fizemos nos últimos 05 anos para que nossa valorização ocorresse?

Quantas reuniões, mobilizações, plenárias, eventos, manifestação participamos nos últimos 06 meses?

Quem quer ser valorizado se valoriza primeiro (!!!)

Todas as categorias lutam e reivindicam direitos na luta, na mobilização, participando, propondo e transformando. Só a categorial policial militar quer ser diferente. Querem um Tiradentes? Para depois esquecê-lo?  Querem um pai para depois abandoná-lo? Um herói? Um Jesus Cristo para ser crucificado? Um Buda?

O Estado só vai na pressão. Não se ganha direitos! Direitos se toma! Seja pelo sangue ou pela luta política – foi isso que aprendi na Universidade. É assim que a história da humanidade nos revela.

Seja você mesmo a Luta que vê nos outros!!!!!!!!!!!!!!!

Quer ser valorizado LUTE pelo seu valor!!! LUTE, portanto pelos seus direitos.
Direitos: De ter um salário digno e motivante, moradia digna e condizente, ascensão funcional, liberdade de expressão, direito de ter novos direitos, LUTE por uma carreira funcional. Mas LUTE!

Aonde nos levará andar a passos de tartaruga?

Fazer o feijão com arroz básico resolverá em que?

Este é um momento ímpar no Brasil: É chegada a hora de irmos para cima do Estado! Do Sistema! Dos governos. De uma grande mobilização por profundas reformas e Modernização do Sistema Policial no Brasil. Lutar por uma política nacional de Segurança Pública. Qualquer coisa fora disso é simples e mero paliativo de pouca duração.

Mas enquanto as categorias não tiverem a Coragem e capacidade de enfrentar os problemas que nos aflige, é preciso ter pelo menos coragem de enfrentar a bandidagem. Enfrentar a criminalidade e a bandidagem sem nos igualamos a estes. Mais na clara observância dos limites legais, ao qual não podemos esquecer – podemos ser duros sem perdermos o senso de Justiça e a prática da Lei. Não nos convém ser cruéis como os cruéis. Nem criminosos como os que vivem a praticar o Crime. Se assim o fizermos, qual a diferença entre eles e nós?

Somos profissionais da Segurança. Pais de famílias. Cidadãos. E precisamos encontrar soluções inteligentes contra quem nos desvaloriza, nos abandona, nos ignora: O ESTADO!

O ESTADO só teme uma categoria se ela estiver unida e mobilizada. E só a uma forma disso ocorrer que é os policiais participando das atividades quando convocados.

Participe das reuniões. Venha para as convocações. Some-se a Luta. Quando não há participação há divisão. Então o Estado, o Sistema ganha.

Ser a palmatória do mundo vale a pena? Onde estão os que assim agiram? Como eles estão agora? Presos, expulsos, processados, mortos, doentes ou frustrados.

A maldade deixa para os maus. A psicopatia deixe para os psicopatas. O crime deixe para os criminosos.

Nós gostaríamos que a nossa família, os nossos filhos, amigos, vizinhança e nossa comunidade estivessem nas mãos dos criminosos? Fossem vítimas da violência dos bandidos ou até mesmo vítimas de injustiça? Acho que não! Principalmente em se tratando dos nossos.

Como podemos sugerir que a Polícia trabalhe em passos de tartaruga para os outros policiais? Se companheiros morreram foi exatamente pela inércia de todos: Governo, Polícia, Sociedade, Associações, Comunidade, Estado, Sistema. Cada um no seu individualismo. Sua zona de conforto.

Eu vou pra rua trabalhar cada vez mais. E dar o máximo de mim contra a criminalidade. E defenderei a vida, a família, os filhos e os filhos dos filhos de todos e por todos – por que sei que a minha vida correrá perigo, bem como de toda minha família, amigos e policiais se todos fizerem apenas o básico.

Quando eu faço apenas o básico eu também corro perigo porque outros me seguirão e farão (também) o básico. Um dia o básico também me alcançará e é neste momento que o básico não é bom pra ninguém. Nem pra mim.

Se quiserem fazer uma greve na Polícia estou dentro e vou para frente de luta. Entro nela e serei o último a sair! Se desejarem fazer um movimento reivindicatório na PM e contra o governo serei o primeiro da fila. Se desejarem radicalizar contra a bandidagem eu levanto minha arma contra eles de forma legal. Mas não farei o “Feijão com arroz básico”. Seria uma trágica forma de demostrar medo e desconhecer o gigante que cada homem e mulher têm dentro de si – como policial. Como cidadão. E em todos os sentidos.

Cumpro minha palavra. Cumprirei meu juramento: Como policial defender a sociedade. E Como cidadão: Lutar pelos meus Direitos. Na categoria: Ficar ao lado dela na luta por Direitos.

Fazer o Feijão com “arroz básico” interessa a quem? E por quê? Qual foi o resultado até agora disso tudo?

Se esconder dentro da toca do coelho? Fugir da realidade? Acovardar-se na luta por Direitos com medo de que? De quem? Se não tenho medo de bandidos também não temerei o Estado e suas legislações pretorianas e injustas contra nós – policiais Militares.

Se algo estiver errado devemos ter coragem de enfrentar e promover transformação. Deixar como estar vai resolver alguma coisa?  “Quem não luta por seus direitos não é digno de tê-los”.

Estou a Disposição das entidades de classe da Polícia Militar. Estarei a Disposição de qualquer um que deseje lutar por dias melhores na PM. Estou a Disposição para qualquer luta. Estou a Disposição para defender qualquer policial injustiçado. Mais não me chamem para me esconder. A criminalidade é pra ser enfrentada e os bandidos irem pra cadeia, e se resolverem enfrentar a policia idem para o cemitério. Afinal estes são os dois únicos lugares para criminosos.

Sgt Pereira

(Pb.) 5° BPM. Capital. João Pessoa – Via Facebook

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