Acordo para fim da greve dos PMs no ES foi classificado como “VERGONHOSO”

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Familiares de policiais continuam obstruindo as entradas dos batalhões no Espírito Santo.

“VERGONHOSO!”… Assim os policiais do Espírito Santo classificou a atitude das associações de policiais militares do estado, Praças e oficiais, ao fazerem um acordo teatral com o governo sob a batuta da Rede Globo de Televisão.

Segundo as esposas e familiares dos policiais, que são os verdadeiros protagonistas dos movimentos nas portas dos quartéis que impede os policiais de saírem para a execução dos serviços, as associações se venderam ao governo e temendo punições às suas associações que chegariam ao valor de 100 mil reais de multa, resolveram fechar esse acordo sem a presença de membros do movimento.

Não obstante a “faca nas costas” dos policiais que as sustentam com suas contribuições, foram conivente com o teatro armado pelo governo e a Rede Globo que anunciaram o fim da paralisação hoje pela manhã em rede nacional, através do Jornal Nacional.

Mesmo com a possibilidade de punição aos policiais, os organizadores do movimento não arredaram pé da frente dos batalhões e não admitem sob hipótese alguma saírem das negociações sem um reajuste salarial mínimo e melhores condições de trabalho aos seus esposos, pais, irmãos e etc.

Apesar da crise econômica porque passa o país, o Espírito Santo é um dos estados que conseguiu manter os salários dos seus servidores em dia, assim como o Distrito Federal. Na visão dos grevistas, a situação se arrasta há três anos e poderia ter sido evitada essa radicalização se o governador tivesse cumprido suas metas de campanha. Ano passado, por exemplo, deixaram de conceder as promoções aos policiais e bombeiros conforme eles mesmos confessam num dos itens do acordo firmado ontem à noite com as associações.

As reações da tropa diante do acordo firmado pelas associações foi imediato. Após o anúncio em rede nacional, o presidente da Associação de Cabos e Soldados do Estado, Sargento Renato Martins Conceição, se dirigiu às unidades operacionais e foi hostilizado. Chamaram-no de traidor, o que levou-o a entregar o cargo ontem mesmo, admitindo não ter competência, legitimidade e a confiança dos associados para negociar com o governo. Já a associação de oficiais, cujo presidente é o Major Rogério Fernandes Lima, se preocupou em alertar os policiais das possíveis punições caso o retorno ao trabalho não fosse cumprida hoje pela manhã o que, de fato, não aconteceu.

O clima hoje pela manhã se agravou com a divulgação da declaração do Ministro da Defesa, Raul Jungman ao portal UOL, afirmando que “Ao paralisar os seus serviços e levar a saques, a mortes, a sequestros, ao aterrorizamento da população, o policial está contribuindo para o aumento da criminalidade. Ele está, tenha consciência ou não, ficando do lado dos bandidos que matam os cidadãos.

Júlio PompeuDesde ontem o clima já estava acirrado quando o secretário de Direitos Humanos do Espírito Santo, Júlio Pompeu, indiretamente insinuou que o número de mortes no estado, que passou de 120, poderia ter a participação de policiais.

Aguarda-se que hoje haja uma nova rodada de negociações envolvendo as esposas dos militares para que se possa chegar a um consenso e finalmente encerrar a paralisação que já entra para o oitavo dia. “Eles não poderiam ter fechado um acordo sendo que o movimento é das mulheres. Não tinha nenhuma de nós lá. A reunião tem que ser passada por nós da comissão. O movimento continua, agora é que começam as negociações, porque conseguimos mobilizar representantes do Governo Federal”, disse uma das organizadoras que não quis se identificar.

Da redação,

Por Poliglota…