PMRJ: Os iguais matam os iguais, porque eles não SE ENXERGAM COMO IGUAIS. A decepção de uma esposa de policial

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Esposas de policiais acampadas em frente os batalhões no Rio de Janeiro

Deixei a adrenalina baixar, as emoções se estabilizarem para escrever sobre a mobilização ocorrida desde o dia 09/02/2017 e encerrada aqui na cidade em 15/02/2017. Honestamente não me lembro de sentir tanta dor na alma, talvez essa tenha sido a punhalada mais cruel que levei em todos os meus trinta e poucos anos.

Há tempos defendo implacavelmente uma tropa, acreditando que todas as agruras sofridas eram em razão de uma cultura de superioridade por parte do oficialato e uma sociedade de conceitos invertidos, porém, deparei-me com uma dura realidade e posso afirmar que foi a pior de todas.

Eu sonhei com a história que vivi, contudo, no meu sonho o final era bem diferente, por mais que negue o romantismo, acho que eu esperava por um final daqueles dignos de ser fato marcante na história de um país, porém, isso aqui não aconteceu.

Foram horas eternas a frente de um BPM sob o vento que levou a nuvem que turvava a minha visão! A realidade e o fim fugiram do roteiro que criei nos meus devaneios, o “racha” oficialato x praças NÃO É O QUE DEFINE a morte ou a vida. Descobri que o divisor destas águas são os *“Peixotos X Silvas”, uma batalha implacável e desleal de perseguição a aqueles que se mantêm firmes aos princípios aprendidos ainda na primeira infância. Minha gente como estes sofrem!

Imagino como se sinta um homem de moral e ética se olhar no espelho depois do último serviço, após sofrer toda a ordem de assédio moral. A corporação dança exatamente o hit da sociedade, o “batidão” é “fogo nos corretos”!

Os HONESTOS SÃO MAL VISTOS, são perseguidos dentro da própria corporação, carregam um fardo que NÃO LHES PERTENCEM e isso só me fez entender de forma ilustrada o que é VOCAÇÃO, porque não há nada que explique se submeter ao que se submetem.

Porém, nem tudo foi ruim, descobri também que “os Silvas” sabem escolher suas mulheres, não pela beleza exterior que a sociedade exige, todavia, convivi com lindas mulheres de ALMA, grávidas, mães com seus bebês de colo, mães que deixaram seus filhos em prol daquilo que acreditam, dedicadas, inteligentes, cultas e com pouca instrução. Dividi histórias de vidas sofridas, encontrei mulheres lesionadas, doentes, depressivas, mas, que se desdobraram para manterem-se a frente dos BPM’s e CIA’s, enquanto as “Juju’s Salimeni’s” (mulheres características dos “Peixotos”), destas, que tem dinheiro sobrando para ficarem lindas estavam nos salões, praias, clubes, e afins bebendo o sangue e comendo a carne daqueles que não compactuam com toda a sujeira.

Esposa agredida no RJConfesso que nossa esperança estava por um fio, contudo, todas nós possuíamos qualidades em comum, aguerridas, valentes, fortes, defensoras de nossa família e vencedoras. Muitas APANHARAM, SOFRERAM TODA A SORTE DE VIOLÊNCIAS, porém, não desistiram!

Depois destes 07 dias de tantas emoções paradoxais, tomei a decisão de desistir de sofrer e militar em favor de uma tropa, isso não significa que tenha jogado a toalha, todavia, a minha caminhada doravante e até enquanto eu puder e tiver forças será APENAS PELO HOMEM QUE ESCOLHI PARA DIVIDIR A MINHA VIDA, DE RESTO, PARAFRASEAREI O TROPA DE ELITE:”CADA CÃO QUE LAMBA A SUA CACETA”!

É triste mais a pura realidade os iguais matam os iguais, mesmo porque eles não SE ENXERGAM COMO IGUAIS!

P.S: A vocês meninas e mulheres o meu muito obrigada, como foi bom descobrir que eu não vivia como o pequeno príncipe e que hoje eu tenho mais que uma rosa!

Autora desconhecida (Esposa de um policial da PMRJ)

*“Peixotos X Silvas” – Uma referência às classes de Oficiais e Praças, respectivamente.

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