Rollemberg gasta R$ 48 mil para receber, na Espanha, prêmio por cultura da paz. Mas, no DF, crimes só aumentam

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Enquanto o governador é agraciado com a honraria no exterior, a população do DF viu, apenas nesta terça, homicídio e até roubo a igreja

Enquanto o governador é agraciado com a honraria no exterior, a população do DF viu, apenas nesta terça, homicídio e até roubo a igreja

O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) está em Madri, na Espanha, para representar o Distrito Federal no 1º Fórum Mundial sobre as Violências Urbanas e Educação para a Convivência e a Paz. A capital brasileira receberá, na quarta-feira (19/4), um prêmio internacional de reconhecimento pela adoção de políticas públicas contra a violência. Ao que parece, a percepção da União de Cidades Capitais Ibero-americanas (Ucci), entidade internacional que concede a honraria, destoa —  e muito — da impressão que o brasiliense tem do lugar onde vive.

Apenas entre as 5h20 e as 18h30 desta terça (18), por exemplo, das 19 matérias sobre o Distrito Federal publicadas no portal Metrópoles, 10 reportavam casos de violência. Havia roubos (inclusive a uma igreja), assaltos, furtos e ao menos um homicídio. Enquanto isso, os cofres públicos locais já gastaram R$ 48 mil para custear as despesas da comitiva do governador, que inclui quatro servidores. Outros R$ 40 mil estão à disposição de Rollemberg para o caso de alguma emergência. Essa última verba é chamada de Suprimento de Fundos.

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Esse dinheiro é mais do que suficiente para custear o remédio do policial militar Ricardo Bernardes Rodrigues, 42 anos, que, até a tarde desta terça (18), seguia internado em estado crítico no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Assim que entrou na unidade de saúde, há 27 dias, após ser baleado em um assalto, Rodrigues precisou de um medicamento especial para estancar uma hemorragia, mas o composto estava em falta na rede pública. Revoltados, amigos iniciaram uma vaquinha para comprar o remédio, que custa cerca de R$ 4 mil. Diante da urgência, o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) arcou com os custos. E aí governador, Comando e Associações de Policiais?

A insegurança da população candanga é reforçada por dados divulgados pelo próprio GDF. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social, somente nos três primeiros meses de 2017, 168 mulheres foram estupradas na capital brasileira. O número representa um crescimento de 21,4% nos casos, comparado ao mesmo período de 2016. Ainda no primeiro trimestre deste ano, crimes como assaltos a residências e roubos a coletivos também registraram alta. Foram também registrados 40 homicídios e quatro latrocínios — praticamente um assassinato a cada dois dias.

Segurança na Europa

A criminalidade, que faz parte do cotidiano do brasiliense, também está presente nos hábitos do dia a dia e obriga a população a se manter precavida, até mesmo no exterior. Na comitiva que acompanha o governador, há um segurança entre os quatro servidores que viajaram à Europa.

Acompanhado pela primeira-dama, Márcia Rollemberg, o governador foi para Madri na última sexta-feira (14/4) e volta nesta quinta (19) — a tempo de participar das comemorações dos 57 anos de Brasília. As passagens aéreas e a hospedagem do governador, entre 17 e 19 de abril, foram custeadas pela União das Cidades e Capitais Ibero-americanas (Ucci). A entidade também pagou as passagens e a hospedagem de duas servidoras: A chefe da Assessoria Internacional do GDF, Renata Helena Ceze Caram Zuquim e Bárbara Beatriz Maia Pinto Alves, da mesma pasta. As despesas de Márcia foram bancadas com recursos próprios.

R$ 48 mil

Ainda assim, o GDF desembolsou bastante dinheiro. Renata e Bárbara receberam R$ 6.054,96 cada para custear diárias no período de 16 a 23 de abril — elas ficam mais tempo na Espanha para, segundo o GDF, “participar de outras reuniões, representar o DF e fechar acordos”. No total, o gasto com elas foi de R$ 12.109,92.

As despesas com os outros dois servidores também são altas. As passagens do gerente de segurança Nelson Pires Filho e do ajudante de ordens Leonardo Melo dos Santos, pagas pelo GDF, custaram R$ 14.888. Em diárias, os dois receberam, respectivamente, R$ 12.829,69 e R$ 8.301,56. Somando-se o que o contribuinte pagou para custar a viagem de Renata, Bárbara, Nelson e Leonardo, chega-se à cifra de R$ 48.129,17.

As informações constam no Sistema Integrado de Gestão Governamental (Siggo). Veja abaixo:

Decreto do Executivo

Em 16 de fevereiro, o GDF publicou o Decreto nº 37.121, que trata da “racionalização e do controle de despesas públicas”. A intenção do documento era promover o equilíbrio entre receitas e gastos no Distrito Federal. Entre as medidas de racionamento, estão estipuladas, por exemplo, cotas mensais fixas para combustível dos carros oficiais. O documento veda ainda gastos com diárias de viagem, aquisição de passagens aéreas, participação em cursos, congressos, seminários e eventos afins.

No entanto, o governo afirmou que a viagem do governador e servidores se enquadra em um artigo de excepcionalidade. O parágrafo segundo do decreto autoriza as viagens “se decorrentes de cumprimento de leis ou de ações destinadas à captação de recursos ou redução de custos”. Dessa forma, o GDF argumenta, por meio de assessoria, que o encontro em Madri “não é só para receber o prêmio, mas para fechar acordo de cooperação na formação para a cultura da paz”.

Segundo a assessoria, Brasília é membro da Ucci desde 1986 e ocupa o cargo de vice-presidente temático de governança da instituição, que abrange os comitês setoriais de descentralização, fazenda e finanças municipais, novas tecnologias, segurança e política municipal e cultura. “Apenas em 2016, nove servidores do GDF já participaram de eventos da Ucci para debater e compartilhar experiências que podem ser aplicadas no Distrito Federal — com viagens e hospedagens arcadas pela entidade”, afirmou o governo.

Durante o Fórum, de acordo como GDF, está prevista a assinatura de duas novas parcerias: “Um memorando de entendimento para cooperação no âmbito da gestão de águas e de políticas públicas de combate à discriminação e à xenofobia; e um protocolo de intenções para a construção de política de inserção internacional de Brasília”.

Fonte: Metropoles.com

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