Insegurança atormenta a população do DF

0
335
Segundo levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados, realizado no mês passado, a segunda maior preocupação do brasiliense é a segurança pública, motivo de inquietação para 21,5% dos entrevistados que vive hoje na capital federal.
Ao todo, 85,6% desaprovam as políticas do setor, que sofre diretamente com a falta de recursos do governo. Segundo afirmou o consultor de segurança pública e integrante do Conselho Distrital, George Felipe Dantas, Rollemberg pecou. A excessiva troca de lideranças – o que afeta a continuidade da linha de coordenação, foi um fator negativo.  “Em pouco mais de dois anos, dois titulares passaram pela pasta: Arthur Trindade e Márcia de Alencar. São nomes bons, com especializações em ciências sociais, mas que não vingaram. Se o trabalho fosse efetivo aos olhos do Executivo local, ainda estariam lá”, argumentou. A secretaria, agora, está sob o comando do delegado de Polícia Federal Edval Novaes, que pouco se difere de seus antecessores.
Outro ponto negativo, segundo o estudioso, é a falta de reposição no quadro de servidores após afastamentos por aposentaria ou problemas de saúde. Atualmente, segundo levantamentos, os quadros da Polícia Militar estão com uma defasagem de mais de 6 mil policiais num total previsto de 18,6 mil. A tendência é que esses números aumentem com as reformas da previdência que deve ser votada ainda antes do final do ano.

*Entrega de viaturas*

Depois de quatro meses de atraso, 145 novas viaturas vão reforçar e modernizar o trabalho da Polícia Militar do DF. O governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, fez a entrega para a corporação em cerimônia na Praça do Buriti na manhã desta terça-feira (8). A promessa do GDF, era de que os veículos estivessem nas ruas desde abril, o que não foi possível, segundo a PM, por conta do emplacamento e treinamento dos militares. Cada uma das viaturas custou cerca de R$ 100 mil.
Segundo o governo, os novos veículos substituirão os que completaram 180 mil km rodados e aqueles que estão danificados irão à leilão. A PM informou que cada batalhão vai receber, pelos menos, um veículo – que será usado no patrulhamento ostensivo.
 A licitação, publicada no Diário Oficial do DF em março deste ano, previa a compra de 192 viaturas por R$ 19,2 milhões, portanto, estão faltando 47 viaturas. Outras 16 caminhonetes cabine dupla também estavam previstas para serem adquiridas ao custo de pouco mais de R$ 2 milhões, mas segundo informado, a falta de orçamento não permitiu as aquisições.
Segundo o governador, os índices positivos foram alcançados pelo Programa Viva Brasília – Nosso Pacto Pela Vida. “Tivemos, no primeiro semestre deste ano, o menor número de homicídios desde 2000 e, no ano passado, a menor taxa de homicídios por 100 mil habitantes dos últimos 23 anos, além da redução de todos os índices de crimes contra o patrimônio em julho”, disse.
Para a sociedade, a quantidade de viaturas deve ser proporcional às necessidades da capital da república e mesmo com a anunciada queda dos índices de criminalidade pelo governo, a sensação de segurança ainda causa preocupação na população.
*Efetivos*
A pergunta que se faz ao governador é o que fazer com a  falta de efetivo, principalmente após ele próprio vetar emendas parlamentares que permitiam a contratação de mão de obra humana em concursos para o ano que vem na área de segurança, principalmente na Polícia Militar e Civil. Os reflexos disso, além de causarem uma visão negativa na sociedade, repercute sistematicamente dentro do seio das corporações, já que isso mais trabalho e, logo, sobrecarga, sem aumento na remuneração. Para se ter uma ideia, o quadro de servidores da Polícia Civil é similar ao do início da década de 1990.
No seio das casernas e nos corredores da Polícia Civil o que se ouve são descontentamentos generalizados. Na opinião de muitos, inclusive servidores e militares do alto escalão, é que a falta de investimentos na segurança pública no quesito mão de obra qualificada pode vir a comprometer a segurança pública da capital nos próximos anos. “Precisamos fazer investimentos materiais sim, mas se não houver efetivos compatíveis para responder a esses investimentos vamos continuar enxugando gelo só para mostrar e dar à população a sensação de segurança que, na verdade, não se traduz a realidade que vivemos”, disse um servidor.