Possibilidade de reajuste salarial anima Policiais Civis. Militares observam

0
2

Depois de mais de 1 ano em operação padrão, desgaste com o governo e nada de reajuste salarial que os levasse a paridade com a Polícia Federal que recebeu 37% de aumento no ano passado, uma luz no fim do túnel deixou a classe de policiais civis otimista.

O líder do governo na Câmara Distrital, Agaciel Maia (PR-DF) levantou a bandeira dos policiais civis e se encarregou de tomar frente de uma negociação com o governo para uma possível proposta de reajuste à categoria. Pela proposta, que é tratada cautelosamente nos bastidores, o aumento seria de 14% e em contrapartida os policiais teriam acrescentado em sua jornada de trabalho mais 1 hora.

Ano passado, o GDF havia apresentado uma proposta de 7% em 2017, 10% em 2018 e 10% em 2019 – que foi recusada pela categoria. Depois, nova proposta em cinco anos – 7% em 2017, 7,5% em 2018, 8,5% em 2019, 5% em 2020 e 4,5% em 2021, que segundo o GDF, era o possível em detrimento dos 37% de uma só vez, o que causaria um impacto de R$ 450 milhões por ano nas contas públicas, que também foi recusada pela categoria. Com os bolsos vazios, resta agora à classe torcer para que Agaciel Maia convença o governador Rollemberg e técnicos do governo para que conceda o aumento.

POLICIAIS CIVIS SE REÚNEM NO COMPLEXO DA INSTITUIÇÃO

Na PM e no Corpo de Bombeiros, só observação

Como os três anos de governo de Rollemberg não foram nada satisfatórios para as categorias de segurança pública do DF, as duas outras co-irmãs, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, assistem passiva, mas atentamente, o desenrolar dos acontecimentos. Caso o reajuste seja concedido, os recursos deverão ser oriundos do Fundo Constitucional do DF que foi criado com o objetivo de manter os órgãos de segurança pública e vem sendo contestado sua má utilização pelo GDF.

No ápice das negociações do ano passado da Polícia Civil pela paridade com a Polícia Federal o alto comando das corporações, aliados com a Casa Militar e associações representativas de praças e oficiais, deixaram bem claro o recado de que não aceitariam ser tratados diferentes: “Se der aumento aos Civis, terá que dar aos militares”, essa foi a frase ouvida nos quatro cantos das casernas.

Como tudo no meio castrense corre como o trem bala do Japão, nas redes sociais já se comenta que essa é uma grande jogada de Rollemberg visando a reeleição de 2018. Elucubra-se que para consolar os militares, o governo concederia um reajuste imediato no valor dos Serviços Voluntários Gratificados passando dos atuais 300,00 reais brutos para 500,00 reais (o que daria cerca de 362,50 líquidos) e aumentaria o valor do Auxílio Alimentação que hoje é de 850,00 reais para cerca de 1.470,00 reais.

Uma fonte de alta patente da corporação que pediu para não ser identificada afirmou ao blog que atualmente o número de policiais concorrendo aos serviços voluntários não tem correspondido às expectativas operacionais da corporação e o aumento do valor seria um bom motivo para que os policiais reforçassem o orçamento e, consequentemente, o policiamento. No caso do Auxílio Alimentação, ele só favoreceria aos policiais que estão na ativa, o que deixaria a ver navios aqueles que já foram para a reserva e, automaticamente, perderam o direito ao benefício. Ou seja, os policiais da reserva não teriam nenhum benefício, ao contrário dos policiais civis que recebem através de subsídios e todos seriam contemplados com o reajuste de 14%, ativos e inativos.

Pelo visto, não será fácil para Rollemberg administrar essa situação. Se de um lado existe uma polícia investigativa que pode trazer muitas dores de cabeça diante de tantas denúncias que estão para vir à tona, como a licitação do lixo no DF e um novo pedido de impeachment a ser protocolado pelo deputado federal e delegado de polícia Laerte Bessa (PR), do outro lado tem duas tropas completamente desmotivadas e desgastadas pela idade, sem incentivo nas carreiras e sem o básico que é um digno tratamento de saúde, fato, inclusive, que levou um sargento do Corpo de Bombeiros a quase protagonizar uma tragédia após um possível surto psicótico onde se apossou de um caminhão tanque e se dirigiu ao Congresso Nacional.

É esperar pra ver. O aumento é abaixo dos 37% referentes à paridade dos salários da Polícia Civil com a Polícia Federal, mas seria um avanço para quem não tem garantido nenhum centavo a mais nos salários. O percentual do reajuste é proporcional ao aumento da carga horária e seria uma espécie de compensação pela hora trabalhada a mais, segundo citou a jornalista Ana Maria Campos do Correio Braziliense.

Da redação,

Por Poliglota….