Opinião: Receber visita não é declarar apoio

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Foto: Divulgação internet

Por Poliglota…

Com todo respeito e respeitando as opiniões, não vejo a visita e o vídeo que está sendo divulgado pela equipe do pré-candidato General Paulo Chagas com o presidenciável Jair Bolsonaro como forma de apoio explícito a sua candidatura ao governo do DF, por mais que nossos atuais políticos mereçam uma bela resposta. Talvez a resposta de mudanças que todos os brasilienses almejam.

Vamos por parte. O General em questão é sim dentro do Exército Brasileiro uma figura bastante respeitada, porém, dentro do Exército. Conhecedor profundo de estratégias, evidente que essa foi apenas mais uma, dessa vez dentro de um contexto político.

Ser governador de um Estado não é simplesmente querer. Existe toda uma conjectura política por trás disso e a musculatura política para isso é construída em anos e anos e não em dias ou meses, movido apenas pela vontade de mudar. Se disso tivermos que partir, todos acabarão concorrendo ao cargo de governador, desprezando os demais cargos legislativos (Senado, Câmara Federal e Distrital).

Não se pode menosprezar políticos e a política. Como nuvem, elas vagueiam e mudam de lugar a todo instante. Nomes como Alírio Neto, Jofran Frejat, Paulo Octávio, Izalci Lucas, Alberto Fraga, Tadeu Filippelli, José Roberto Arruda e outros não citados são ou foram nomes que já tiveram o respeito do eleitorado brasiliense, conhecem os meandros da política e detém um capital eleitoral, querendo ou não. No caso do nosso nobre General, sua construção está apenas começando. Se avaliarmos cruamente, quem é o General Paulo Chagas no contexto brasiliense? Quais foram suas contribuições para a capital federal? Qual a articulação política dele no passado e na atualidade? Mas se nos reportarmos ao exército Brasileiro, às casernas, aí sim muito se encontrará.

Portanto, todos desejamos e aplicamos o discurso da moralidade e esperamos que eles se cumpram na prática, sem dúvidas. Mas convenhamos que para alcançar um voo da magnitude dessas não se pode desprezar ninguém e muito menos raposas velhas e articuladoras da política. Além disso, não vamos esquecer de que temos um eleitorado volúvel que muda seus conceitos até mesmo na boca de urna, seja por ideologia política, seja por benefícios prometidos ou até mesmo por protesto. Brasília vota, queira ou não, em quem conhecem e a história diz isso.

Então, humilde e politicamente falando, vejo que o caminho do General será longo e árduo. Não será com uma visita e um vídeo ao lado de um pré-candidato presidencial que todos os problemas de Brasília irão acabar ou estarão resolvidos. E se todos observarem bem o vídeo e fizerem uma leitura apurada, verão que o presidenciável deseja ao General boa sorte, elogia seu potencial, caráter e ética, diz ser um bom nome, mas o “apoio presidencial” parte da boca do General e não o contrário, “pra mim é uma honra muito grande ter o apoio do deputado Jair Bolsonaro”, diz o General.

Desejo boa sorte ao General, e acredito que esteja no caminho certo, mas analiso com pé no chão. Formar opinião é importantíssimo, desde que avaliemos todos os contextos que podem mudar, transformar ou até mesmo edificar o que já existe.