Frente Parlamentar Militar

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General Augusto Heleno

Blog do Edgar Lisboa

O movimento eleitoral liderado pelo general Augusto Heleno (foto) para formar uma frente parlamentar militar está com dificuldades. Com recursos minguados dos pequenos partidos, onde se abriga a maior parte dos 71 candidatos oriundos das Forças Armadas, a divisão do bolo deve privilegiar a candidatura presidencial do deputado Jair Bolsonaro. Sem dinheiro é difícil eleger políticos desconhecidos

Com candidatos indicados em todos os estados, menos o Acre, os oficiais da reserva pretendem constituir um bloco pluripartidário para atuar no Congresso na próxima legislatura. A maior expressão gaúcha nesse grupo é o general de exército Antônio Hamilton Mourão.

Divisão do bolo

A ducha de água fria no entusiasmo dos pré-candidatos militares veio neste fim-de-semana, em Natal. O candidato do Partido Social Liberal (PSL), a legenda base do projeto, Bolsonaro, deu o tom da divisão do bolo do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas, o chamado “fundão”, de seu partido, nas próximas eleições: os diretórios regionais não devem esperar desembolsos da direção nacional para financiar as campanhas nos estados. Cada qual que se vire. O candidato deu essa diretriz a seus seguidores no Rio Grande do Norte, no último fim-de-semana.

Bolsonaro esteve no Estado para a organização da pré-candidatura ao governo do Estado do general de brigada Eliezer Girão Monteiro Filho, ex-secretário de segurança do RGN, que está sendo lançado candidato pelo segmento militar do Partido Social Liberal (PSL), legenda recentemente absorvida pela candidatura do capitão-deputado carioca.

Recursos do Fundão

Segundo o presidente nacional do PSL, o advogado Gustavo Bebiano, o partido e seus candidatos deverão rejeitar os recursos do Fundão para suas campanhas. Com oito deputados federais, o partido teria direito a uma parcela entre três e dez milhões de reais. Esses valores são uma fatia mínima do bolo geral demais de dois bilhões de reais. Em Natal, Bolsonaro justificou-se dizendo que votou contra o projeto do Fundão, na Câmara. No entanto, observadores dizem que essa quantia é tão pequena que não daria para cobrir minimamente a demanda de recursos de uma campanha presidencial de um candidato de grosso calibre, como é o caso do capitão-candidato. Melhor recursar e denunciar.

Na semana retrasada um grupo numeroso de militares da reserva das três forças federais, Exército, Marinha e Aeronáutica, reuniu-se em Brasília para se articular nacionalmente para participar do processo eleitoral.

Bancada corporativa

O movimento dos militares é corporativo, apartidário, com oferta de nomes a todas as legendas. O objetivo é formar um bloco parlamentar, uma bancada corporativa a exemplo de outros segmentos pluripartidários, como as chamadas Bancada Evangélica, Frente Ruralista, Bancada da Segurança (integrada por delegados e policiais militares) e outras.

O movimento dos militares na direção das urnas está sendo encarado como um fato positivo. A opção pelo embate eleitoral é um dado concreto que contribui para descontrair o nervoso e temeroso ambiente político.