Correio ENTREVISTA Presidenciáveis – Parte 5: Jair Bolsonaro

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(foto: Ed Alves/Cb/D.A Press )

Bolsonaro defende medidas ‘radicais’ na área de segurança pública

Ao participar de sabatina no Correio, o pré-candidato do PSL também criticou o politicamente correto: “Antes, o gordinho se defendia. Agora, está virando mariquinha”

O pré-candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro (RJ), defendeu medidas “radicais” para combater o problema da segurança pública no Brasil. Durante sabatina do Correio Braziliense, realizada na manhã desta quarta-feria (6/5), o deputado federal tornou a falar sobre a flexibilização para uso e porte de arma de fogo pelo cidadão comum.

O político buscou se apresentar também como um candidato honesto, que, se eleito, não governará na base do “toma lá, dá cá”, e afirmou ser um dos únicos políticos que não tiveram voto comprado em medidas no Congresso Nacional. “Quero mostrar que nós podemos ser um ponto de inflexão na forma de fazer política, sem toma lá dá cá, sem viés ideológico. Vamos jogar pesado na questão de segurança pública para que o país volte a ter turismo, jogar pesado na área de ciência e tecnologia”, disse. Para conseguir apoio e divulgação, Bolsonaro disse contar com as redes sociais e com crowdfunding. “Se eu chegar lá, é sinal de que quem votou em mim votou com razão e com o coração.”

Sobre a área de segurança, Bolsonaro disse que o tema deve ser tratado com “radicalismo”. “Em algumas coisas tem que ser radical. Só temos uma vida”, disse. “Não vem com essa história de presídio cheio. Isso é um problema de quem cometeu o crime. Eu sei que não é facil. Vou contar com a ajuda do coronel (Ney Oliveira) Müller. Tem que vir gente como ele (para o governo), não pode vir antropólogo para tratar essa questão grave e única entre nós”, comentou.

“Todo gordinho está virando mariquinha” 

Bolsonaro não quis se estender sobre os desafios no combate a crimes de ódio no país. Em um cenário polarizado, o político não acredita que essa deva ser uma preocupação para agora e voltou a criticar aqueles que querem o “politicamente correto”. “Quando alguém faz uma besteira com um terceiro, ele será isolado pelos próprios colegas. Isso do politicamente correto é coisa dos radicais de esquerda. Eu sou uma das pessoas que mais sou atacado”, argumentou. “Na escola, você é chamado de quatro olhos, gordinho mesmo. Mas, antes, o gordinho se defendia. E agora, todo gordinho está virando mariquinha”, disse.

Um dos assuntos mais controversos da entrevista foi a questão da economia. Antes defensor do papel do Estado, Bolsonaro passou a flertar com o liberalismo e a defender privatizações “em certos casos”. Perguntado se essa mudança não gera desconfiança, disse: “A desconfiança é natural, mas sou uma pessoa de palavra”. Questionado sobre quais seriam as empresas que privatizaria em um governo futuro, não deu resposta: “Vamos discutir isso em um momento oportuno.”

Assista à entrevista na íntegra: 

Correio Entrevista: Jair Bolsonaro

Posted by Correio Braziliense on Wednesday, June 6, 2018

Petrobras e caminhoneiros 

Aconselhado pelo economista e político Paulo Guedes, o pré-candidato disse que, quando o assunto é Petrobras, há uma opinião pública dividida. “Tenho para mim que a Petrobras é uma empresa estratégica. O que aconteceu com a questão dos combustíveis? Qual é a função social de uma estatal?”, questionou. Além disso, o político questionou as ações da estatal e criticou o valor cobrado via impostos, como o ICMS. “É um estupro. É um absurdo o valor do ICMS cobrado no Brasil”, disse.

Sobre a greve dos caminhoneiros, Bolsonaro acredita que teria conseguido barrar a crise. “Se eu fosse presidente, não teria havido questões dos caminhoneiros, porque havia dois anos eu já os acompanhava pelo Brasil”, afirmou, acrescentando que a dependência brasileira das rodovias é um erro. “Agora, o governo não tem mais dinheiro para mudar. Investir em outro modelo de transporte que não seja rodoviário.”

Sobre a educação, Bolsonaro defendeu o investimento no ensino básico, mas disse que a federalização dessa etapa seria economicamente inviável. E defendeu o “resgate dos valores familiares”, criticando as discussões de diversidade sexual e de igualdade de gêneros (que chama de “ideologia de gênero”) nos colégios. Criticou ainda a formação não de alunos, mas de “militantes” nas universidades do país.

Sobre a Previdência, Bolsonaro admitiu a importância da mudança nas regras, entretanto, com um texto diferente daquele apresentado pelo governo Temer. “A esquerda foi a que mais torceu pra esse texto ser votado porque sabia que quem votaria favorável estaria marcado pelas eleições futuras. A minha ideia é de uma nova previdência surgindo. Mas com algumas mudanças, então vamos com calma”, argumentou.

Fonte: Correio Braziliense