Correio ENTREVISTA Presidenciáveis – Parte 8: Manuela d’Ávila

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(foto: Minervino Junior/CB/DA Press )

Manuela d’Ávila diz que ineficiência do Brasil a fez tentar a Presidência

“Acredito na possibilidade de diálogo. Precisamos de Estado brasileiro para garantir políticas públicas e não julgar os brasileiros por suas crenças, escolhas e modo de vida”, disse a pré-candidata ao Planalto em sabatina no Correio

Em sabatina realizada nesta quarta-feira (6/6) no Correio Braziliense, Manuela d’Ávila, pré-candidata à Presidência da República pelo partido PC do B, disse que a ineficiência do Estado brasileiro é um desafio que o país tem e uma das razões que a levou a ser candidata. “O estado tem que ser garantidor de um conjunto de políticas públicas de educação, saúde e segurança”, resume.

Para ela, o estado brasileiro incrementou ferramentas de combate à corrupção, mas ainda assim não foi possível garantir que novos casos acontecessem. “A transparência é maior quando se aumenta a participação social. Temos que refletir por que nossas ferramentas ainda não estão surtindo efeito”, explica.

Manuela diz que o projeto de privatização de empresas brasileiras foca em companhias estratégicas. “Querem privatizar a Petrobras, a Eletrobrás, que são empresas essenciais para a retomada do crescimento e para o Brasil sair da crise. Não é um debate moral, mas estratégico. O que o Brasil precisa e o que ele não precisa para seu desenvolvimento”, critica.

Projeto econômico 

Ainda sobre economia, a candidata se mostrou contrária à autonomia do Banco Central. “Tem duas tarefas centrais: o controle da inflação e a questão do emprego. O Banco Central tem que fazer parte de um projeto de país. A quem serve a ausência da autonomia total do Banco Central”, destaca.

Ela propõe um debate sobre a carência da previdência. “Temos dois debates. Um sobre o real tamanho do deficit. E também a sonegação. São dados que temos baixo acesso. O que é deficit e o que é sonegação? Falamos sempre do aumento de idade, mas não levamos em conta a jornada de trabalho. É preciso um debate global. Não é usar referências europeias para a realidade brasileira”, disse.

D’ávila emenda. “O debate foi feito com a intenção de garantir certos interesses. O povo brasileiro resistiu, por isso o Congresso não aprovou”, conclui.

A pré-candidata disse que a reforma tributária é um ponto central de seu plano de governo. “O Brasil tem que ter uma reforma para que pare de cobrar impostos intermináveis de pobres e que cobre impostos de herança, multimilionários e que tenha mais justiça tributária”, defende.

Unificação da esquerda 

Manuela garante que pretende seguir em campanha até outubro, não desistindo da candidatura para a criação de uma chama única de esquerda. “A unidade que eu defendo tem que se materializar. Somo quatro candidatos. Serei pré-candidata até outubro. Temos uma unidade programática. Existe uma insistência em dizer que a esquerda está fragmentada. Nós temos Boulos, Ciro, Lula e eu. O outro lado tem 14 candidatos”, defende.

Manuela não comentou a fundo a prisão do ex-presidente Lula. “Ele é vítima de uma prisão política”, cravou.

Correio Entrevista: Manuela d'Ávila

Posted by Correio Braziliense on Wednesday, June 6, 2018

Financiamento da educação 

Manuela é contra a federalização dos ensinos médio e fundamental. “Como garantir a ampliação do número de horas que as crianças ficam na escola. A União deve centrar no ensino superior. Precisamos ter um projeto de país que a indústria tenha algum papel. Para isso, é preciso de ciência básica. Isso que faz no Brasil é a universidade”, avalia.

Ela se disse contra a cobrança de taxas em universidades públicas para estudantes mais ricos. “Tentamos superar as dificuldades dos estudantes mais pobres pelas cotas. E elas tem sido exitosa. Sou contrária a cobrança de taxas em universidades públicas. Esse é um debate equivocado por encarar a universidade como um ambiente elitista”, define.

A candidata defende a reforma do sistema de segurança pública e focar no combate de homicídios e crimes sexuais. “Subestimamos o reflexo da violência na vida do brasileiro. Precisamos pensar na reforma do sistema de segurança pública. O Brasil precisa escolher quais crimes precisa combater. Vamos manter as nossas polícias no mesmo ciclo?”, pondera. Ela emenda que a guerra às drogas é um desafio. “A maior parte dos presos é por atos que criminaliza as drogas.”

Manuela criticou o perfil conservador de parcela da classe política. Perguntada se seu perfil progressista não atrapalharia determinadas negociações. “Acredito na possibilidade de diálogo. Precisamos de Estado brasileiro para garantir políticas públicas e não julgar os brasileiros por suas crenças, escolhas e modo de vida”, conclui.

(foto: Minervino Junior/CB/DA Press )

Trajetória política 

Manuela foi deputada federal pelo Rio Grande do Sul entre 2007 a 2015 e líder de seu partido na Câmara dos Deputados, em 2013. Estreou no Congresso como a parlamentar gaúcha mais votada em 2006, quebrou o próprio recorde em 2010.

Durante a adolescência, Manuela mudou de cidade constantemente por conta do trabalho da mãe, uma juíza. Seu pai era professor universitário. Quando retornou a Porto Alegre, ingressou no movimento estudantil e, posteriormente, na União Nacional dos Estudantes (UNE).

Fonte: Correio Braziliense