Debate de pré-candidatos foi jogo-treino para a eleição no Distrito Federal

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Palácio do Buriti

Políticos contra anti-políticos. Esta frase poderia ser um resumo do primeiro debate entre candidatos ao governo do Distrito Federal travado na noite de segunda-feira, em Brasília, organizado pelo Portal Metrópolis e transmitido pelas redes sociais.

De um lado raposas experimentadas, como o veterano Jofran Frejat (PR), ex-senador entre muitos cargos, o governador e candidato à reeleição e ex-senador, Rodrigo Rollemberg (PSB), o deputado federal Izalci Lucas (IPSDB), também político experimentado nos parlamentos regional e federal e como secretário de estado, e a deputada Eliana Pedrosa, com três mandatos na Câmara Distrital.

Do outro lado os “outsiders”, apresentados como anti-políticos por radicalismos ideológicos ou simples negação do processo democrático. Como a autodenominada “classe política” é formada em eleições diretas, a proposta desses pré-candidatos é excluir os políticos eleitos da gestão do estado. Neste campo estavam o general Paulo Chagas (PRP) a acadêmica Fátima Souza (PSol) e o empresário Alexandre Guerra (Partido Novo). Cada qual com seu enfoque, negando a política convencional.

Frente a frente os dois grupos demonstraram as duas correntes antagônicas. Os “negacionistas” atribuem aos políticos todas as mazelas do País, sem, contudo, oferecer propostas concretas de formato para compor uma correlação de forças que viabilize seus projetos executivos. Já os se veteranos terçam armas oferecendo-se como os mais capazes para gerir a administração, pois os problemas discutidos entre todos são os mesmos, evidentemente, pois as deficiências são consenso.

O debate foi, na verdade, um primeiro confronto, cauteloso, entre os candidatos já colocados no cenário, intitulando-se pré-candidatos, um eufemismo para conter punições da Justiça Eleitoral.

Os políticos veteranos operaram taticamente no mesmo espaço de meio-de-campo. Jofran Frejat, médico conhecido e ex-secretário de saúde, valorizou sua experiência nesse setor. O governador Rodrigo Rollemberg e o deputado Izalci Lucas se enfrentaram mais diretamente. Cada qual em sua posição, reivindicaram as mesmas vitórias: Izalci, como parlamentar, foi articulador e negociador ativo no parlamento na aprovação de leis que beneficiam o Distrito Federal, como a regularização fundiária, a concessão de incentivos fiscais para investidores e reforma do ensino médio. Rollemberg, como governador, trouxe para si a execução e os benefícios desses avanços.

Nesse debate, Rollemberg rebateu com energia a saraivada de críticas que todos os demais fizeram à sua administração, mas, entretanto, com isto teve oportunidade de passar seu recado e fazer um relato de sua gestão. Com isto, seu antagonista mais evidente, Izalci Lucas, pode poupar-se de um ataque mais veemente e reivindicar sua atuação parlamentar como uma preparação para o futuro do Distrito Federal, intitulando-se, com isto, como o mais preparado para comandar o governo local. Jofran mostrou seus êxitos na área de saúde.

A gafe da noite ficou com o candidato do PRP, o partido nacionalmente liderado pelo deputado Jair Bolsonaro, que tem entre seus bordões enfrentar os lemas politicamente corretos. No debate, a pergunta de jornalista ao general-candidato foi da enviada da EBC, Juliana Cézar Nunes, militante do Movimento Negro e representante da Rádio Nacional, que, vestida a caráter, confrontou o candidato com uma questão de cunho identitário. O militar não teve como fugir e embaraçou-se e escorregou na casca de banana, oferecendo munição para as redes sociais contra-atacarem seu grupo.  Suas posições, no entanto, coincidem com as manifestações de seu candidato a presidente da República.

Outros debatessem redes fechadas devem acontecer até os grandes confrontos nas tevês abertas marcados para depois do início oficial da campanha eleitoral, em 15 de agosto.

Blogedgarlisboa / Agência Digital News (VC)