Suicídio de policiais: Até quando?

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Ontem a PMDF acordou como quem acorda de um pesadelo. Porém, ao acordar, sabia que tinha a missão de garantir a ordem pública, como sempre, e como se nada tivesse acontecido.

Estamos no limite do insuportável. Baixo efetivo, salários defasados, sistema de saúde ineficiente, viaturas sucateadas, armamento obsoleto, munições velhas, coletes vencidos, oficiais altamente sobrecarregados, praças esquecidos e sem reconhecimento. Essa é a triste realidade!

Se fosse qualquer outro profissional,  estaria tudo bem! Orquestrava um movimento paredista, começava uma manifestação,  mobilizava uma greve. Mas não! A polícia militar não pode pedir socorro.

Somos formados ouvindo que aquele que apresenta um atestado é golpista, “muchiba”, fraco. E hoje estamos colhendo os frutos disso.

O pedido de Socorro e daqueles que, apesar de serem indispensáveis para o Estado Democrático de Direitos, são invisíveis aos olhos da sociedade e só são lembrados pelos políticos em tempo de eleição.

Policiais extremamente sobrecarregados, praças com 15 anos e uma única promoção, policiais endividados, com problema de depressão, salários defasados, escalas desrespeitadas. Eis aí a fórmula perfeita da alquimia da tragédia.

O policial militar que trabalha na rua, quando consegue evitar que o crime ocorra, não fez mais que sua obrigação.  Quando não consegue, é incompetente! Quando prende um criminoso, via de regra, se sente como enxugador de gelo graças ao Estatuto da criança e do adolescente ou às audiências de custódia. Quando isso não acontece ele vai ser submetido a um procedimento administrativo porque o bandido aprendeu que pode prejudicar aquele que o prendeu simplesmente dizendo a um Juiz que foi maltratado pela polícia no momento da prisão. Essa é a triste realidade!

Policiais estão esquecidos pela sociedade e por aqueles que deveriam olhar por eles. Massacrados, com baixo efetivo, abandonados, adoecidos… Ao perdermos mais um colega de farda chegamos a seguinte reflexão:  Cuidamos da sociedade, mantemos a ordem pública, cumprimos a lei, lidamos com o que há de pior no seio social.  Mas, quem cuida de nós?

Nós policiais pedimos socorro! Uma combinação explosiva de abandono, desrespeito, sobrecarga…somados a uma arma de fogo ao alcance da mão.  Pronto! Está “resolvido” o problema. Notícias como “policial se mata e mata namorada”, “policial surta e dispara 30 vezes”, “policial se mata”, “policial comete suicídio”, são cada vez mais frequentes no seio policial, nos jornais, nas redes sociais.

Mas a sensação que temos é que nada mudou, e que nunca mudará. As dificuldades permanecem. Resta-nos pedir à Deus para tocar no subconsciente de cada policial. Somente Deus pode nos ajudar nesse momento de abandono e de tamanha dor.

Você meu amigo policial, embora esquecido, ultrajado pela sociedade, desprotegido pela Lei, desamparado pelo Estado… Você é importante pra sua família, pros seus amigos, pra sociedade!

Peça ajuda! Converse! Não deixe que essa tragédia bata a sua porta!  Até quando? Quem será o próximo? Quantos mais morrerão ou atentarão contra sua própria vida? Teremos uma solução para tantos problemas? Quanto tempo levará pra termos policiais valorizados, motivados, respeitados,  com respaldo jurídico pra trabalhar, com apoio da sociedade, com meios e equipamentos adequados, com uma carreira justa, com sistema de saúde eficiente…Quanto tempo?

Espero que todos e que aqueles que têm responsabilidade de decidir o que é melhor para os policiais se sensibilizem com o grito de socorro que foi dado na noite de ontem com a perda de mais um companheiro de farda.

Autor desconhecido…