Querem esfolar o “sargento herói” que flagrou médicos assistindo TV no hospital lotado

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Médicos do DF se uniram para processar e pedir prisão do sargento da PMDF Flávio Mendes Rodrigues, por ter filmado um grupo de médicos do Hospital Regional de Brazlândia (HRBz), assistindo TV, enquanto havia uma fila enorme de pacientes que agonizavam em busca do atendimento. O flagra foi feito pelo PM na manhã da última quarta-feira terminou causando a demissão do diretor da unidade de saúde de Brazlândia

Por Toni Duarte//RADAR-DF

Enquanto o Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (Sindmédico-DF) quer esfolar vivo, o sargento Flávio Mendes Rodrigues, os mais de 55 mil moradores de Brazlândia saem em apoio ao militar que está sendo considerado como “herói” na cidade.

Na última quarta-feira (6/3), Flávio Mendes flagrou e filmou médicos do hospital Regional de Brazlândia assistindo o programa de Ana Maria Braga, na sala de repouso, momento em que uma enorme fila de pessoas aguardava por um atendimento na recepção do hospital. O vídeo feito pelo militar foi postado por ele nas redes sociais e viralizou

A reação corporativista dos médicos foi imediata. O Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF) classificou a postura do sargento como “mau-caratismo, autopromoção e abuso de autoridade”.

O sindicato exige que a PMDF puna rigorosamente o militar. “Que seja preso e condenado pelo que fez”, exigem em nota.

Já os médicos filmados assistindo TV resolveram entrar na justiça contra o sargento pedindo indenização por danos morais.

Em um comunicado a direção do Hospital acusa o policial de ter coagido os funcionários, “ao levantar falsas declarações e colocar em dúvida a integridade moral dos servidores no exercício das suas atividades”.

O comunicado salienta ainda que o ato em questão configura-se em crime de desacato nos termos do art 331 do CP. VEJA AQUI.

Apesar de a Secretaria de Saúde informar que são dentistas, no entanto foi identificado um profissional médico cirurgião entre os personagens do vídeo feito pelo policial.

A Secretaria de Saúde soltou nota informando que não eram médicos e sim, dentistas, que estavam escalados e sem pacientes naquele momento.

No campo das dúvidas e reflexões, outra pergunta se impõe: por que tantos dentistas escalados num pronto-socorro se não tem demanda?

O Radar apurou que a cobertura de saúde bucal do DF é, segundo dados oficiais, uma das piores do país e, no entanto, aqui se escalam três dentistas para o pronto-socorro de um hospital de pequeno porte.

Os dentistas têm o segundo maior salário da saúde no DF, diga-se de passagem.

O fato ocorrido em Brazlândia está muito além da simples demissão do diretor do hospital, assinada na última quinta-feira pelo governador Ibaneis Rocha, a qual será publicada na próxima segunda-feira.

O governador agiu firme para botar ordem na Casa e soou forte como um recado ao secretário Okumoto de que é preciso abrir o olho.

Também estar acima das ameaças de prisão e processos judiciais arrotadas pelo Sindmédico contra o herói sargento Flávio Mendes, que representa o grito sufocado de uma população desassistida pela saúde pública e que por causa das mesmas mazelas derrotou nas urnas o governo passado.

Desabastecimento e falta de profissionais, como foi apontado pela direção do Hospital de Brazlândia, continua em toda a rede, apesar do governo ter baixado estado de emergência.

A pergunta que não quer calar: Quem são os verdadeiros responsáveis pelo caos? O que essas cenas escondem? Incompetência, omissão ou sabotagem?

A incompetência administrativa no topo continua, apesar do esforço do secretário Okumoto para se livrar dela.

O mau uso do dinheiro público é evidenciado na desorganização da pasta há alguns anos. E não foi inventada pela atual gestão, mas por aqueles que continuam nela.

Falta planejamento e ações eficazes para minorar o sofrimento do povo.

O Radar analisou o organograma da saúde e descobriu uma infinidade de subsecretarias, cuja maioria abriga a incompetência. São muitas siglas: SAIS, SINFRA, SULOG, SUGEP, SUPLANS, SUAG, SVS.

O que elas fazem na saúde? Quem compra os medicamentos e materiais, que ultimamente estão em falta deixando a população e os profissionais dos hospitais que trabalham sem estrutura em risco?

Quem manda consertar as unidades que estão caindo aos pedaços? Quem é responsável pelos equipamentos quebrados? Quem planeja tudo isso?

Se for a SUPLANS, metade dessas respostas acima está mais que esclarecida. O atual subsecretário, Paulo Sellera é ninguém mais, ninguém menos que o ex-adjunto de saúde de Rollemberg, na gestão de Humberto Fonseca.

Ou seja, o número dois da saúde, de um governo que foi massacrado pelas urnas e por ter matado muitos pacientes dentro e nas portas dos hospitais. Tem como isso dar certo?

Onde estão os 180 administradores contratados e concursados que ganham 14 mil reais por mês, responsáveis pelo planejamento da Secretaria de Saúde?

E para não esquecer o caso de Brazlândia é preciso perguntar: quem indicou a superintendente da região oeste? Terá sido mesmo grupo que ameaçou boicotar a saúde no passado?

Apesar de ser apenas 68 dias do novo governo, no entanto se faz necessário o secretário japonês abrir o olho para conseguir melhorar a saúde que dirige e deixar de ser refém de um sistema plantado em postos chaves da saúde deixados pelo governo Rollemberg.

Está passando da hora de Osnei Okumoto formar a sua própria equipe para que fatos como o ocorrido no Hospital Regional de Brazlândia não ocorra em cadeia nas unidades de saúde do DF.

Ninguém precisa enforcar, esfolar ou prender o bravo Sargento Flávio Mendes e muito menos continuar matando a população que precisa de um médico. Basta ter responsabilidade com o povo.