PCC se expande em “franquias” e leva guerra para outros estados

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Essa reportagem é da Revista Veja de junho de 2018. Nela já havia um alerta de que as facções estavam se organizando para abrirem “Franquias” nos 26 Estados brasileiros mais o Distrito Federal

Investigação revela estratégia de disseminação territorial do grupo e como as lutas entre facções fizeram o número de homicídios explodir em alguns estados.

Por Eduardo Gonçalves

“Eu tenho mais de trinta cadáveres dentro do meu telefone”, disse Rafael Silvestri, no dia 8 de setembro do ano passado, em conversa telefônica com um comparsa do Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior e mais perigosa organização criminosa em atividade no Brasil. Ele se jactava das imagens de inimigos mortos que havia recebido em seu celular de comparsas baseados em vários estados brasileiros. Silvestri é a principal “autoridade” do PCC no Nordeste e, nos últimos seis meses, teve seu sigilo telefônico quebrado pela Polícia Civil de Presidente Prudente (SP) juntamente com o de outros 200 membros da facção. O material, colhido no âmbito de um inquérito sigiloso ao qual VEJA teve acesso, ajudou os policiais a deflagrar, no dia 14, a Operação Echelon, que desvendou o modus operandi usado pelos bandidos do PCC para expandir seu domínio sobre o tráfico de drogas nos estados.

As investigações levaram a constatações preocupantes. Uma delas: os territórios onde a facção trava disputa com outros grupos criminosos pela hegemonia no tráfico são justamente os que sofreram uma explosão de homicídios em dez anos. Nesse período, o aumento do número de assassinatos por 100 000 habitantes, segundo o Atlas da Violência de 2018, é uma matemática de horrores: 256% no Rio Grande do Norte, 121% em Sergipe, 93% no Acre, 86% no Ceará, 74% no Pará e 72% no Amazonas. Tais áreas são as que mais aparecem nas conversas gravadas pela polícia. Identificadas como zonas conflagradas, são rotas estratégicas para a entrada da cocaína no Brasil e seu escoamento para a Europa. Em São Paulo, onde o PCC surgiu e é hegemônico no tráfico, o vetor é inverso: os homicídios caíram 46% na última década. Por isso, dissemina-se a certeza de que o controle da violência em São Paulo não está nas mãos do governo e suas políticas de segurança. Está nas mãos do PCC.

ATUALMENTE

Ceilândia, Gama, Estrutural, São Sebastião, Samambaia, Recanto das Emas, Planaltina, Riacho Fundo, Santa Maria e Paranoá. Essas são as cidades do Distrito Federal que criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) ficaram as suas bases, segundo monitoramento feito pela Divisão de Repressão a Facções Criminosas (Difac) da Policia Civil do DF

A transferência de bandidos, ligados as facções criminosas mais perigosas do país, para o Presídio Federal do Complexo Penitenciário da Papuda, sempre foi uma preocupação do governador Ibaneis Rocha.

Em março desse ano, Ibaneis reagiu duro contra a transferência do líder do PCC Marco Willians Herbas Camacho o “Marcola” e mais três comparsas para o DF.

Apesar de ter reclamado ao ministro da Justiça Sérgio Moro e a corregedora, desembargadora Maria do Carmo Cardoso, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), no entanto o governador Ibaneis não conseguiu reverter a situação.

O chefe da maior facção criminosa do país, o PCC, havia sido transferido de São Paulo para Rondônia no mês março, após a descoberta de um plano de fuga de presídios paulistas envolvendo Marcola e o grupo criminoso.

Além de Marcola, a Papuda abriga ainda Cláudio Barbará da Silva, Patrik Wellinton Salomão, e Pedro Luiz da Silva Moraes, o Chacal. Entre os chefões do PCC, o presidio federal também abriga os líderes do Comando Vermelho.

Ao todo são mais de 30 criminosos que agem e determinam os ataques contra a sociedade de dentro da cadeia.

O que Ibaneis temia, começa se materializar de fato no DF.

O efeito ocorrido em Rondônia, lugar por onde os líderes do PCC de São Paulo foram transferidos, ocorreu uma forte migração de bandidos do Primeiro Comando da Capital para aquele estado.

Plano de fugas, ataques a caixas eletrônicos e a carros-fortes aumentaram consideravelmente levando o Ministério da Justiça pedir a transferência de Marcola e seu bando para Brasília.

Nos últimos quatro meses, segundo a Policia Civil a facção de Marcola, além dos criminosos ligados ao Comando Vermelho, se instalou em dez cidades do DF e cidades do Entorno.

As ações criminosas aumentaram bastante no Distrito Federal. O  modus operandi é o mesmo: ataque a caixas- eletrônicos, tráfico de armas e munições, roubo nas estradas e tráfico de drogas.

Brasília além de ser a rota do crime é a cidade acolhedora de criminosos das mais diversas modalidades.

Fonte: Revista Veja e RadarDF