Hospital da Segurança Pública e exoneração da Comandante Geral da PM acirram o clima na segurança pública do DF

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Centro Médico da PMDF: Possível estopim para a exoneração da Comandante Geral da PMDF

Por Poliglota…

Realmente tem coisas que só acontece na capital federal.

Depois de um tempo em hibernação, eis que surge a todo vapor a conversa sobre a criação do Hospital da Segurança Pública do DF. Grupo de Estudo foi constituído envolvendo os diversos órgãos para que a vontade do governador Ibaneis Rocha (MDB) seja colocada em prática e a questão de saúde desses órgãos, principalmente a PM, seja efetivamente resolvida.

No entanto, parece que a gasolina na fogueira foi adicionada. Uma reunião informal entre o sindicato dos policiais civis com o Diretor da Polícia Civil acendeu a chama da discórdia. De um lado os policiais civis que querem a todo custo que essa iniciativa vá adiante e do outro a corporação Polícia Militar que quer barrar a qualquer custo, mesmo que tenha que chegar às últimas instâncias da justiça. O Corpo de Bombeiros? Bom..esse vai muito bem obrigado…

Nessa briga de egos e desejos, quem está na ponta da linha, os usuários e dependentes, ficam sem saber o que fazer e como opinar. A verdade é que hoje o hospital criado com recursos oriundos da Polícia Militar não tem a mínima condição de atender a demanda interna, quiçá, acrescentar outras categorias.

A verdade, e mesmo contra a vontade de muitos, tem que ser dita e doa a quem doer. Esse hospital foi planejado durante muito tempo com o objetivo de atender a todos os policiais militares e dependentes, sem distinção. Recursos do Fundo Constitucional foram utilizados e, após anos para a sua construção, está muito aquém do que foi proposto. A pergunta que se ouve no meio virtual de grupos policiais é: “Seria falta de planejamento, recursos ou má gestão? ”.

Um elefante branco, na concepção de muitos, totalmente ineficiente e com uma mega estrutura construída que muitos hospitais do DF sequer chega aos pés. As razões? Pelo visto, se fossemos enumerar daria um livro. Mas segundo algumas pessoas ouvidas, inclusive que participaram da elaboração do projeto, pode começar pela falta de corpo clínico (médicos, Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem) para atendimento à demanda. Sem mão de obra qualificada é como tentar construir uma ponte sem engenheiros, pedreiros e concreto.

Dos deputados eleitos com votos das categorias, apenas João Hermeto (PMDF) se manifestou. Roosevelt Vilela (CBMDF) está em silêncio e mesmo com as cobranças das categorias nas redes sociais parece não querer se envolver nessa polêmica.

Para o distrital Hermeto (MDB), atualmente vice-líder do governo de Ibaneis na Câmara Legislativa, “O hospital é ineficaz. 60% da estrutura está ociosa e as dívidas acumuladas relativas à prestação de serviços de saúde chegam a R$ 117,8 milhões, o que corresponde a praticamente a metade do orçamento total destinado à área em 2017”, justifica, endossando parecer do Tribunal de Contas do DF.

Em nota, o deputado se manifestou na tentativa de acalmar as tropas e pediu a todos que deem uma chance ao governo para uma alternativa que possa suprir as necessidades das corporações sejam tentadas, afinal, do jeito que está não pode ficar, afirmou. Veja a nota abaixo:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Devido aos diversos problemas apresentados no Centro Médico da Polícia Militar e da necessidade de se ter uma unidade de saúde que pudesse atender com eficiência não só a PM, mas os demais órgãos de Segurança Pública do DF, foi determinado pelo governador Ibaneis um estudo sobre a possibilidade de se criar o Hospital da Segurança Pública, ou seja, melhorar e ampliar a atual estrutura da Policlínica da PM e expandir o atendimento à esses órgãos, resolvendo dessa forma dois problemas com uma única iniciativa.

Dirigentes do Sindicato da Polícia Civil (SINPOL-DF) se reuniram com o Diretor Geral da corporação, Robson Cândido e entre outros assuntos, falaram sobre essa possibilidade, porém em caráter informal. Sendo assim, não há o que se falar em decisões unilaterais.

Existe uma comissão com representantes de todos os órgãos envolvidos, inclusive da PMDF, para as tomadas de decisões, que serão feitas apenas em um segundo momento.

É importante destacar que em recente auditoria feita pelo Tribunal de Contas do DF, o Centro Médico da PM apresentou sérios problemas financeiros e de gestão.

“O hospital é ineficaz.60% da estrutura está ociosa e as dívidas acumuladas relativas à prestação de serviços de saúde chegam a R$ 117,8 milhões, o que corresponde a praticamente a metade do orçamento total destinado à área em 2017.” Trecho do parecer do TCDF.

Nós policiais militares e familiares sabemos o quanto precisamos melhorar nosso sistema de saúde. Vamos dar uma chance para uma alternativa que possa suprir as necessidades da nossa corporação porque do jeito que está não pode ficar.

Eu, como deputado e vice-líder do governo estou em contato com o governador e garanto que nada será feito sem antes ouvirmos todos os envolvidos.

Contem comigo para trabalhar incessantemente pelos problemas de saúde dos policias militares. (Deputado Hermeto (MDB))

Insatisfação

Não obstante o desgaste com essa possível criação, que gerou, inclusive, nota de repúdio da Associação dos Oficiais da Polícia Militar (ASOF), as tropas militares estão declaradamente insatisfeitas com o tratamento diferenciado dado a eles pelo governador.

Em campanha, o discurso do então candidato era de que nada seria tratado de forma unilateral. No entanto, a poucos dias um ofício encaminhado ao governo federal por Ibaneis cobra do governo uma solução par o reajuste de 37% dos policiais civis, fruto de mensagem encaminhada à Casa Civil da Presidência da República na qual os militares ficaram de fora.

Para os militares, o governador não cumpriu seu compromisso e pouco tem demonstrado em fazer algo pelas instituições militares.

Para especialistas, esse é um tema delicado e que requer um estudo muito aprofundado. Não obstante isso, a demora em se processar a implantação do projeto é longa e deve demorar bastante ainda. Tudo, pelo andar da carruagem, está ainda nos estudos e sem nenhuma conclusão justamente pelas divergências apresentadas de todos os lados.

Exoneração da Comandante da PMDF

O clima que já não era bom hoje se complicou mais ainda. A exoneração da Comandante Geral da PMDF, Sheyla Sampaio, entornou o barril de vez.

Tanto o Fórum de Associações (aglomerado de várias representações de policiais e bombeiros militares) como a ASOF (Associação dos Oficiais da PMDF) se manifestaram acerca da atitude tomada pelo secretário de segurança e endossado pelo governador Ibaneis Rocha.

Em notas, demonstraram a insatisfação afirmando que “O Governador Ibaneis tem demonstrado, por ação e omissão, ser uma pessoa desrespeitosa com a Polícia Militar do Distrito Federal, autoritário, intimidador e de comportamento absolutista e figadal”.

Na nota conjunta (Fórum de Associações) invocaram a Constituição Federal e seu Artigo 144, § 6º que diz: “As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios”. Continuaram, “O secretário é o chefe operacional da segurança pública do Distrito Federal, porém não tem respaldo legal para determinar que a PMDF abdique do seu hospital (a suposta justificativa para a exoneração da Comandante) para atender a um capricho intempestivo, pois melhorar a saúde dos nossos policias e seus dependentes não será possível se não houver incremento de investimentos maciços no setor”, grifos nosso.

Nota Pública Do Fórum Sobre Hospital e Demissão Da Comandante by Tenente Poliglota on Scribd

Já na Nota em separado da ASOF, ressalta-se o bom desempenho da comandante durante o exercício de sua função, onde ela entregou à sociedade brasiliense números impressionantes de redução dos índices de criminalidade, tendo uma postura de uma Chefe de uma Instituição de Estado, e não uma postura subserviente de uma Chefe de uma Instituição de Governo. Reforçam os votos para que o próximo ocupante do cargo mantenha sua subordinação à cadeia de Comando, mas uma subordinação dentro dos ditames legais e com igual compromisso com a Polícia Militar do DF como um todo, desejando que ele seja responsável, tendo como seu principal papel defender os interesses da Polícia Militar do Distrito Federal e seus integrantes, bem como a sociedade brasiliense.

Nota Pública Da Asof – Demissão Da Cmt Geral by Tenente Poliglota on Scribd

É…vamos aguardar a divulgação do nome do(a) novo(a) comandante geral e torcer para que os ânimos sejam serenados e as instituições e seus representantes sejam, efetivamente, o foco principal dessas discussões, porque a sociedade sabe muito bem o que ela precisa…