Coronel Sheyla deixa comando da PM…mas com postura de uma verdadeira comandante, diz a tropa

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Foto: Metropoles.com

Saio de cabeça erguida e confiante de que fiz o melhor para a Corporação e para a sociedade do DF

Postado por Poliglota com informações do CB…

Atender os anseios da sociedade, mas também defender sua instituição e seus integrantes custou caro a ex-comandante geral da Polícia Militar, coronel Sheyla Sampaio, exonerada ontem (6) pelo governador Ibaneis Rocha. Diga-se de passagem, por ser um Cargo de Natureza Política (CNP) e indicação do próprio governador, não via nenhuma razão para se submeter à subordinação da Secretaria de Segurança Pública.

A base para sua declaração veio do Artigo 1º da Lei nº 6.450 de 14 de outubro de 1977, que Dispõe sobre a organização básica da Polícia Militar do Distrito Federal (Art. 1º  A Polícia Militar do Distrito Federal, instituição permanente, fundamentada nos princípios da hierarquia e disciplina, essencial à segurança pública do Distrito Federal e ainda força auxiliar e reserva do Exército nos casos de convocação ou mobilização, organizada e mantida pela União nos termos do inciso XIV do art. 21 e dos §§ 5º e 6º do art. 144 da Constituição Federal, subordinada ao Governador do Distrito Federal, destina-se à polícia ostensiva e à preservação da ordem pública no Distrito Federal), grifo nosso.

Em nota, a ex-comandante fundamentou suas declarações por conta da entrevista concedida pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) ao DFTV – 2ª Edição na data de ontem (6). Na concepção da ex-comandante, alguns equívocos foram cometidos e inobservados pelo governador.

Iniciou dizendo que a proposta de reestruturação administrativa da corporação, onde permitiria que os batalhões fossem comandados por tenentes-coronéis e liberando um efetivo maior de oficiais superiores para atividade fim (Majores), foi encaminhada à Secretaria de Segurança Pública e até a presente data não houvera nenhuma manifestação do titular da pasta, o delegado da Polícia Federal Anderson Torres.

Mais adiante, a coronel afirma que sua obrigação institucional de defender a corporação estava acima de tudo e assim o fez dentro da hierarquia e disciplina, contumaz no meio militar. O possível estopim da crise, a criação do Hospital da Segurança Pública, poderia até acontecer, desde que antes o Centro Médico que foi construído para atender a saúde da família policial militar respondesse à altura as necessidades de seu público interno e não que fosse ocupado por outros órgãos.

Outro ponto abordado pela ex-comandante diz respeito a forma diferenciada de tratamento entre os órgãos de segurança pública. A recomposição salarial diferenciada aplicada pelo governador não poderia ser aceita. Ao encaminhar o pedido de reajuste de 37% para os policiais civis e não encaminhar junto o reajuste dos militares, o governo foi parcial. Sheyla afirma que uma proposta de reajuste foi apresentada desde os primeiros meses de governo e que até agora não houve nenhum encaminhamento por parte do executivo local ao governo federal.

Nas redes sociais e grupos de policiais militares a repercussão foi positiva com as declarações da ex-comandante. Nunca na história da Polícia Militar no DF assistiu-se um comandante “peitar” um governo em detrimento de apego a seu cargo.

“A considerar as declarações da ex-comandante, ela entra para a história duas vezes: Uma como a primeira mulher a comandar a instituição e a outra por não ceder a pressões políticas que vão de encontro à legislação”, disse um policial nas redes sociais.

“A Coronel Sheyla deixa o comando da PM…mas com postura de uma verdadeira comandante. E é o que esperamos de quem quer que esteja sentado nessa cadeira tão importante no contexto de segurança pública da capital da república”, dizia outro comentário nas redes sociais.

O outro lado

Em entrevista concedida ontem (06/08) ao DFTV – 2ª Edição, o governador Ibaneis Rocha (MDB) disse que a Coronel perdeu o controle da tropa e não conseguiu conter a crise entre coronéis.

Parte dos oficiais não aceita se submeter ao comando do secretário de Segurança, Anderson Torres, e tampouco aprova o projeto, prioridade do governo, de criar o Hospital da Segurança Pública, para atender às três forças de segurança: PM, Corpo de Bombeiros e Polícia Civil. “Nada contra a Rainha da Inglaterra, mas, no meu governo, o secretário de Segurança manda. Não é a Rainha da Inglaterra”, disse Ibaneis. “Quem não aceitar isso está fora”, acrescentou em entrevista ao Correio.

Veja a mensagem da Coronel Sheyla: