Ibaneis Rocha: Brasília chora por Marizelli

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Por Poliglota…

O velório e sepultamento da Bombeira morta em acidente durante a execução e seu trabalho mobilizou a cidade de Taguatinga. Um clima de completa emoção tomou conta do 2º GBM e de toda cidade

O 2º GBM, no Centro, foi o local escolhido pelos familiares e a corporação para prestarem a última homenagem a militar que tombou quando apagava um incêndio na área florestal de Taguatinga Norte.

Marizelli, de 31 anos e mãe de dois filhos, ingressou no Corpo de Bombeiros na última turma formada na corporação. Colegas de farda a descreveram como alegre e sempre disposta a dar o melhor em prol do próximo.

Sua morte foi anunciada neste domingo (15/09/2019), quando a bombeira militar atendia uma ocorrência de incêndio florestal em Taguatinga Norte e uma árvore caiu sobre fios de alta tensão. A soldado de 31 anos acabou atingida pelos galhos. O acidente ocorreu na QNL 2, próximo à Super Adega.

O velório transcorreu sob forte emoção de familiares, colegas de profissão e do próprio governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), que decretou luto oficial e três dias em respeito à memória da militar falecida. “Nós temos uma das corporações mais bem preparadas desse país, mas infelizmente uma fatalidade acabou ceifando a vida de uma grande profissional. Isso me deixa muito triste e toda cidade triste, pois o Corpo de Bombeiros é uma instituição de muita credibilidade e carinho perante a sociedade brasiliense. Espero que Deus coloque muito conforto no coração dessas duas crianças que ficaram sem sua mãe, uma guerreira, e que tenham força para superar esse momento muito difícil”, disse o governador Ibaneis.

Policiais militares, Civis e Bombeiros além de diversas autoridades participaram do velório e sepultamento da guerreira tombada em ato de serviço.

Homenagem:

“Nenhum bombeiro sabe quando o brado será o último. Ninguém sabe. A adrenalina sobe e a vibração toma conta do sangue vermelho, a nossa cor.

Nenhum bombeiro sabe que aquele deslocamento na viatura pode ser o último. A equipagem às pressas, amplamente treinada, as conversas no trajeto, improvisadas, as risadas, as estratégias da missão. Ninguém sabe quando serão as últimas.

O som da sirene rasgando o silêncio das ruas e o ronco das viaturas abrindo caminho em direção ao sinistro são músicas em nosso ouvido. A gente imagina que sempre as ouviremos outra vez. Vidas alheias importam mais que as nossas e seguimos em direção ao que o destino escalou para aquele dia. Vamos, não sabemos se voltamos, mas vamos. E vamos vibrando. Avante guarnição. Voamos ligeiros! Para a frente! O que importa a tormenta? 

Naqueles eternos instantes entre o brado e o regresso nossa vida fica nas mãos de Deus. Vidas alheias e riquezas. Salvar é o nosso lema. É a nossa uníssona voz. E como irmãos que somos, estamos na lida, cuidando uns dos outros e cumprindo a missão. Não temem a morte os bombeiros, quando ecoa do alarme o sinal! 

Mas, algumas vezes, sem que a gente entenda o porquê, Deus busca um de nossos anjos laranjas de volta e o transforma em herói, heroína, imortal. Algumas vezes aquele brado, infelizmente, é o último. Algumas vezes aquela viatura transporta os nossos amados heróis pela última vez. Algumas vezes a sirene é um canto celestial anunciando que as portas do céu se abriram para que Deus incorpore mais um anjo em sua tropa de heróis anônimos.

Algumas vezes, Deus leva o nosso irmão, a nossa irmã e todo um Corpo de Bombeiros sente, toda uma tropa chora. Descanse em paz guerreira Marizelli, seu nome ecoará no livro dos lendários, dos imortais, dos heróis que escrevem a nossa história. 

Nosso pesar mais sentido e nossa continência mais honrosa a você.

Que Deus a receba e conforte o coração da família e amigos neste momento de dor tão grande, sempre confiantes na vida eterna prometida e na bondade e misericórdia de Deus. (2º tenente do Corpo de Bombeiros Cleônio Dourado de Souza).”

“Descanse em paz Marizelli, você combateu o bom combate! ”