Desabafo de um leitor e assinante: “Para que serve o CORREIO BRAZILIENSE?”

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Foto; Divulgação internet

Por favor, meu prezado Paulo César Marques, Diretor de Comercialização e Marketing do CORREIO BRAZILIENSE: transmita ao nobre Diretor-Presidente Álvaro Teixeira da Costa e à distinta Diretora de Redação Ana Dubeux a minha imensa frustração ao percorrer avidamente as páginas do meu exemplar de assinante do CORREIO BRAZILIENSE desta, segunda-feira 18 de novembro, e não encontrar ao menos um título, uma única menção, uma foto, um registro qualquer, uma notinha de pé de página sobre as manifestações populares de ontem em dezenas de cidades do nosso Brasil, pedindo a dissolução do STF e a eleição de novos juízes concursados, não vitalícios, a imediata adoção de lei consagrando a prisão em segunda instância, o fim do presidencialismo de coalizão, “inter alia”, e mostrando a revolta popular contra a prevaricação de autoridades denunciadas como não confiáveis, corruptíveis ou já corrompidas, como o juiz Gilmar Mendes e o presidiário Lula da Silva.

Imagino que a minha imensa decepção com o jornal que assino há tantos anos será da altura do avião que sobrevoou a praia do Balneário de Camboriú, no dia de ontem, estendendo no céu, para os aplausos de todos na praia, faixa com o slogan mais popular no Brasil de hoje, de Norte a Sul: LULA LADRÃO, SEU LUGAR É NA PRISÃO.

Idoso, enfermo, não pude eu pessoalmente sair de casa para manifestar o meu patriotismo reivindicativo na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Mas permaneci ligado em espírito com todo o meu povo pelas redes sociais, com as centenas de milhares de brasileiras e brasileiros que lotaram as avenidas não apenas de São Paulo e Rio de Janeiro, mas de todas as capitais e outras dezenas de cidades do nosso país. Toda a noite, durante horas, visualizei, com minha esposa Thereza, o conteúdo de diversos sites e blogs políticos, espantado com o mundaréu de manifestantes nas praias de Copacabana, na Avenida Paulista, nas capitais do Nordeste, do Centro-Oeste e do Sul do Brasil, todas elas pacíficas, sem qualquer incidente de natureza policial, senhoras e senhores bem vestidos, bem comportados, com semblante de gente de bem, um sorriso nos lábios, exprimindo-se em português correto e com argumentos inteligentes, gente como eu, meus irmãos brasileiros, que me encheram de orgulho, bradando, em uníssono, “Fora Gilmar, a tua hora vai chegar!” e outros libelos contra autoridades dos três poderes, denunciadas como corruptas. Ontem, domingo 17 de novembro de 2019, foi um dia histórico, em que as massas saíram às ruas para reivindicar, alto e bom som, com a mesma voz e no mesmo tom, a construção de um país passado a limpo, escoimado de todas as suas mazelas, um novo Brasil, com que todos sonhamos, de que todos nos orgulhemos – nosso patrimônio comum, que transmitiremos aos nossos filhos.

Na manhã seguinte deste domingo de imensa comoção nacional, abro o meu exemplar do CORREIO BRAZILIENSE e não encontro nenhuma, sequer uma, absolutamente nenhuma menção ao fenômeno da majestosa manifestação política de ontem, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, em todo o país. As manchetes de primeira página são “Meninos do Brasil viram sobre México e levam tetra” , “Flamengo a dois passos do paraíso” e “Risco no uso de patinetes e bikes de app abre debate”! Os editores do Correio Braziliense certamente merecem o prêmio de “Inventores das Manchetes mais Estúpidas de Toda a História do Jornalismo Brasileiro”, capazes de fazer tremer de raiva ao mesmo tempo nossos saudosos Hipólito José da Costa e Assis Chateaubriand em suas sepulturas. O país inteiro nas ruas, manifestando nossa revolta, exigindo mudanças estruturais e a jornalista Ana Dubeux estampando, em letras garrafais, na primeira página do Correio Braziliense de hoje, os riscos do uso de patinetes e bikes de aplicativos… Cacete! Triste, muito triste! Os editores do CB desperdiçaram toda a página 8 com uma única matéria de incontestável relevância: uma entrevista com o empresário Valter Patriani, cofundador da CVC, que trocou o turismo pelo mercado imobiliário…Que grande achado, não, senhores? Os brasileiros estamos todos super interessados em conhecer os motivos que levaram nosso patrício Valter Patriani a “trocar o turismo pelo mercado imobiliário”. Meu Pai Celestial, que matéria interessante, cativante! E tanto que duvido que algum leitor do CB teve paciência para lê-la de cabo a rabo, aprendendo que a empresa do nosso mui prezado Valter Patriani teve uma renda de R$ 280 milhões em 2019 e que, em 2020, ela deverá crescer para R$ 490 milhões….Muito interessante, realmente! Realmente, imperdível!

Parabéns, senhores editores do Correio Braziliense! Os senhores conseguiram destruir, com a edição de hoje do meu jornal de há tanto e tantos anos, todo o respeito que eu tinha pelo jornal, que, a partir de hoje, em lugar de perder meu tempo lendo baboseiras, deboches e achincalhes, como o conteúdo de hoje, utilizarei apenas para embrulhar o meu lixo. Quando esta minha assinatura caducar, não a renovarei!

Autor: ALÍRIO DE OLIVEIRA RAMOS

Diplomata aposentado, residente em Águas Claras

18 de novembro de 2019 – Fonte: Redes sociais WhatsApp