Privatização: CEB Distribuição volta a lucrar e fatura R$ 39,7 mi

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MICHAEL MELO/METRÓPOLES

Com corte de custos, despesas e negociação de dívidas, estatal sai do vermelho. Empresa controladora do grupo lucrou R$ 99,2 milhões em 2019

Postado por Poliglota…

A Companhia Energética de Brasília (CEB) voltou a lucrar, após longa fase com as contas no vermelho. De acordo com balanço do terceiro trimestre de 2019, a estatal, formada por três empresas, registrou lucro líquido de R$ 47,1 milhões. No mesmo período de 2018, amargou prejuízo de R$ 38,98 milhões. Entre julho, agosto e setembro deste ano, a subsidiária CEB Distribuição, responsável por 97% do faturamento do grupo e em estudos para privatização, teve resultado positivo de R$ 39,7 milhões – contra o rombo de R$ 60,5 milhões, no exercício passado.

O desempenho positivo é confirmado na análise dos números entre janeiro e setembro. Neste recorte, a CEB lucrou R$ 99,2 milhões em 2019. No ano passado, sofreu prejuízo de R$ 14,3 milhões. A distribuidora de energia teve prejuízo de R$ 88,2 milhões em 2018. Ao longo dos mesmos meses deste ano, atingiu o lucro de R$ 13,5 milhões. Segundo o presidente da empresa, Edison Garcia, a recuperação da saúde financeira é resultado da redução de custos e despesas, além da negociação de dívidas da entidade.

Em crise financeira e com rombo bilionário nas contas, a CEB e a Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb) estão na lista de privatização do Governo do Distrito Federal (GDF). Enquanto os editais não são publicados, as estatais se viram para tentar cobrir parte do déficit. Em setembro, por exemplo, a Companhia Energética de Brasília iniciou licitação para a venda de terrenos da empresa localizados no Lago Sul, Guará I, Riacho Fundo I, Cruzeiro Velho e na Asa Norte. Juntos, os imóveis estão avaliados em R$ 16,7 milhões.

Nos primeiros nove meses de 2019, a receita operacional, a arrecadação com as contas de energia da CEB Distribuição, passou de R$ 1,89 bilhão. Em 2018, faturou mais de R$ 1,86 bi. Ou seja, o crescimento percentual foi de apenas 1,38%. No outro prato da balança, o custo de operação caiu de R$ 194,9 milhões para R$ 173,5 milhões no mesmo período. A queda foi de 11%. As despesas operacionais recuaram de R$ 204,6 milhões até o patamar de R$ 187,1 milhões, representando redução de 8,5%.

Entre 2018 e 2019, neste recorte, a receita financeira da subsidiária cresceu 9%, saindo de R$ 60,7 milhões para R$ 64,9 milhões. A despesa financeira foi enxugada, caindo de R$ 149 milhões para R$ 132,4 milhões. Estas medidas impactaram positivamente o resultado financeiro da distribuidora. Garcia destacou o impacto do Programa de Recuperação de Créditos da CEB, batizado de Recupera, como um dos grandes responsáveis pelo bom desempenho em 2019. A renegociação já trouxe para os cofres da estatal R$ 16,2 milhões em contas de energia em aberto. No acumulado do ano, fora negociações em curso, já resgatou R$ 58,5 milhões.

Privatização e PDV

De acordo com Edison Garcia, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ainda trabalha na modelagem do projeto para privatização da CEB Distribuição. Neste contexto, o gestor prefere não fazer qualquer previsão do valor da empresa. A proposta deverá ir a público em 2020. A estatal também planeja colocar em marcha um plano de demissão voluntária (PDV). “Não está definido. Mas estará nos projetos de venda do controle”, pontuou o presidente.

Além da CEB Distribuição e da Caesb, o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), decidiu privatizar a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF). Do ponto de vista do emedebista, a venda das estatais dará mais fôlego para o Estado investir na melhora de serviços públicos. Por outro lado, funcionários públicos criticam a proposta. Segundo empregados da distribuidora, os casos de privatização pelo Brasil resultaram em aumento de taxas, apagões e queda na qualidade dos serviços.

Fonte: Metropoles.com