Deputado Sardinha: “Carreira única, eu vejo que essa é a solução para a segurança pública no Brasil.”

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Nós estamos caminhando para um precipício sem retorno e as pessoas não estão vendo. Eu acho que o Presidente da República, Jair Bolsonaro, deveria encampar isso, uma polícia única

Postado por Poliglota…

O Deputado Distrital Reginaldo Sardinha (Avante) concedeu uma entrevista exclusiva para o Jornalista e Blogueiro Aderivaldo Cardoso. Sardinha falou sobre a sua visão da segurança pública no DF e no Brasil, afirmou ter sido um dos pais da Polícia Penal, que a Carreira única é a solução para a segurança pública no Brasil juntamente com a Unificação.

PI – Como o senhor tem visto a Segurança Pública?

Sardinha – Eu tenho uma preocupação muito grande com a segurança publica, não só porque eu sou da segurança pública, afinal são três forças, eu posso dizer quatro forças porque o sistema prisional também é da segurança pública e que muitas vezes é esquecido. Nós estamos hoje com o efetivo baixo, nós temos as quatro corporações doentes, psicologicamente, a sobrecarga de trabalho é grande, essa estrutura hoje existente nas estruturas de segurança pública eu acho arcaica, não deveria ser mais assim, esse nivelamento de hierarquias contribui para acabar com a segurança publica, não só de Brasília, mas de todo o Brasil.

PI – E sobre a Polícia Militar?

Sardinha – Então o efetivo está pequeno, o efetivo está diminuindo, não só na Polícia Militar, como no Corpo de Bombeiros, como na Polícia Civil, como também no Sistema prisional. O “serviço voluntário gratificado” nas cooperações traz um alento na questão do salarial, porque o salário está defasado das corporações, mas escraviza o servidor, piora a situação mental e até mesmo física do servidor, porque ele passa a ficar mais tempo no serviço quando ele deveria estar descansando com a família. Então para que essas escalas de 24×72? A folga é para descansar não é para trabalhar. Mas em razão da manutenção e da sobrevivência, o servidor é obrigado a trabalhar, isso vai adoecer mais ainda as cooperações, ou seja, daqui há alguns anos eu posso dizer para você Aderivaldo, que não teremos 4,5 mil PMs trabalhando nas ruas do DF. O restante estará todo doente.

PI – A alternativa é mais concurso nas áreas?

Sardinha – eu acho que a questão de concurso ela vem pra ajudar a formatar, a criar a corporação, a criar uma estrutura, mais não vai resolver, eu acho que temos que mudar de paradigma.

PI – Que paradigma?

Sardinha – Eu sou a favor da fusão das polícias, eu acho que você ter quatro polícias nos dias atuais, apesar de ser um dos pais, ser um dos mentores da criação da Polícia Penal; acho que deveríamos juntar tudo, eu sei que o ego dos comandos atrapalham, pois são os primeiros a não deixar, todo mundo quer ver o seu quadrado, quer ver sua área, a gente está falando de um custo que o estado uma hora não vai mais conseguir pagar.

PI – Qual seria a solução?

Sardinha – Não estamos conseguindo movimentar a máquina por causa da falta de servidor, tudo se justifica pela falta de servidor, desde quando eu entrei na polícia há 20 anos atrás até hoje, vejo cada dia menos policial. Em uma delegacia que antigamente tínhamos no posto seis ou sete policiais no plantão hoje temos apenas dois ou três, e olhe lá, se não tiver só voluntariado.

Nós estamos caminhando para um precipício sem retorno e as pessoas não estão vendo. Eu acho que o Presidente da República, Jair Bolsonaro, deveria encampar isso, uma polícia única. Assim conseguiríamos uma economia na gestão, desde a estrutura, até mesmo de pessoal. Sou a favor do soldado chegar a coronel, é o justo, também do agente conseguir chegar a ser delegado, uma porta de entrada única para ambos. Hoje ambos já entram com o nível superior, essa evolução não é atos, mostra que o soldado que entra formado em direito pode chegar a coronel e o agente formado em direito pode chegar a delegado.

PI – Inclusive teve uma decisão do STF recente dizendo que não entende como transposição de carreira a questão da praça sair oficial por meio do processo seletivo interno.

Sardinha – É mérito! Te garanto que nós teremos melhores coronéis e melhores delegados, tendo aqueles que iniciaram como agente de polícia e iniciaram como soldado.

PI – Seria a carreira única?

Sardinha – Carreira única, que o poder público vai chegar e falar assim: “gente vamos acabar com esse tanto de polícia e fazer uma polícia só”. Porque não vai sustentar, o Fundo Constitucional do Distrito Federal já é um elefante branco, o fundo hoje é um orçamento maior que alguns estados, como a Paraíba e Tocantins. Vai chegar uma hora e já tem uma deputada do Rio de Janeiro, que já está querendo uma boquinha do fundo, vai chegar uma hora que o ele não vai dar conta, porque ele não é exclusivo para segurança como deveria ser. Ele divide com a saúde e a educação, e vai chegar uma hora que vai falar assim, a PM hoje precisa contratar 4 mil homens mais só tem como contratar 500 e não vai resolver o problema da PM, vai piorar a situação. A Polícia Civil já está desse jeito, precisa contratar 2 mil pessoas, mais se você contratar 2 mil pessoas e der um aumente você não consegue contratar 2 mil pessoas. Como você vai dar um aumento de 37% pra Polícia Civil, Polícia Militar, Bombeiro e o Sistema Prisional e contratar gente ao mesmo tempo?

PI – O senhor está dizendo que as corporações terão que escolher entre reajuste salarial e aumento de efetivo?

Sardinha – Se você escolher o aumento você vai morrer de trabalhar e vai ficar doente, se você fizer concurso vai ficar doente porque não consegue pagar as contas. Então essa equação tem que ser feita de uma forma responsável, deixando o ego de lado e começar a se pensar em uma carreira única sim. Definitivamente o Fundo Constitucional deveria ser exclusivo para a Segurança Pública, o governo pode custear a saúde e educação de maneira complementar. A solução é essa, é você unificar. Por exemplo, por que a cidade tem que ter um batalhão da PM, um batalhão do Bombeiro e uma delegacia? Três estruturas caras para o estado, por que não uma só pra resolver tudo? É preciso ser racional. É preciso deixarmos as vaidades de lado, o que está em jogo é o nosso futuro. E um futuro bem próximo: daqui há cinco ou dez anos a situação estará muito mais difícil que agora, isso é matemática.

PI – Ou seja, a unificação e a Carreira única em sua visão seria uma forma de otimização de recursos?

Sardinha – Com certeza, você vai reduzir seus custos em ¼. Você tem hoje quatro estruturas muito caras, você teria ¼ a mais de possibilidades, olha o tanto que vai sobrar de dinheiro. Você tem DETRAN e BPTRAN, para que isso? Unifica o DETRAN, joga ele na polícia e fica só o BPTRAN. O DETRAN vai querer também ser polícia, mas é a vaidade. Há eu quero o meu! Mas o meu em médio e longo prazo vai acabar. É a visão que eu tenho hoje. Há 20 anos atrás quando você entrou eu tenho certeza que você tinha muitos companheiros do seu lado trabalhando, hoje cadê esse pessoal?  Sumiu…

PI – E como potencializá-las no território para melhorar o serviço para a população?

Sardinha – É a carreira única, eu vejo que essa é a solução para a segurança pública no Brasil. E nós precisamos largar dessa vaidade para discutir e criar a carreira única urgente. Hoje nós não estamos aposentados, mas daqui há 10 anos estaremos. E aposentado hoje é complicado, não faz paralisação, ou seja, tem menos força de pressão que um policial na ativa, agora se o da ativa já tiver doente e não conseguir nem fazer paralisação porque está doente e não tem gente para fazer, como é que fica? Estamos caminhando para isso.

Fonte: Blog do Aderivaldo Cardoso