Coronavírus: o que se sabe sobre a doença que colocou o mundo em alerta

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A província chinesa Wuhan entrou em estado de quarentena após epidemia da doença (foto: Mark Ralston / AFP)

O Correio conversou com especialistas e discutiu se há motivo para pânico ou se a epidemia está restrita ao continente asiático

Postado por Poliglota…

Os casos de coronavírus acenderam um alerta em todo o mundo. Após a província chinesa Wuhan entrar em estado de quarentena, e a suspeita de uma possível infecção no Brasil, muitas pessoas estão se perguntando sobre o vírus e as consequências dele no corpo humano. Para isso, o Correio conversou com especialistas e discutiu se há motivo para pânico ou se a epidemia está restrita ao continente asiático.

Confira algumas das principais dúvidas sobre o assunto:   

O que é o coronavírus? 

Segundo a World Health Organization (WHO), os coronavírus (CoV) são uma grande família de vírus que causam doenças que variam do resfriado comum a doenças mais graves, como a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV) e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV). “Isso acontece porque o coronavírus não circula só em humanos, mas, sim, em animais também. E eventualmente sofre mutação e é capaz de passar de espécie para espécie. Acredita-se que esse novo vírus esteja relacionado ao morcego, assim como foi o MERS, do Oriente Médio”, explicou o infectologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB) André Bon.

O que é diferente agora?

Este é um novo coronavírus (nCoV), que ainda não foi previamente identificada em humanos.

É preciso alarde?  

Para o médico infectologista e chefe da Comissão de Controle de Infecção do Hospital Santa Lúcia, Werciley Júnior, é preciso entender que o coronavírus tem certa gravidade, mas que o pânico pode atrapalhar também. “Temos que dar o cuidado certo à doença.”

Como é feita a transmissão?

Os coronavírus são transmitidos entre animais e pessoas. Algumas investigações apontaram que os SARS foi transmitido de gatos da cidade para humanos, enquanto os MERS de camelos dromedários. Neste caso, ainda não se sabe por qual animal a contaminação ocorreu. Segundo André Bon, a dinâmica de transmissão ainda é difícil de calcular. Enquanto o SARS houve mais casos de pessoas infectadas, o porcentual de mortalidade era menor do que o do MERS — cujo o número de infectados era menor, mas que teve maior número de mortos. “Não sabemos ainda a dinâmica de transmissão desse novo coronavírus. Sabemos que de 2002 pra cá desenvolvemos mais tecnologia para diagnosticarmos esse vírus com mais facilidade. Podemos até conseguir desenvolver mais rápido uma droga ou vacina. Mas é difícil prever se vamos conseguir conter com mais facilidade porque ainda não sabemos o que é”, afirmou.

Onde e quando começou?

A WHO explica que, em 31 de dezembro do ano passado, o escritório da Organização Mundial da Saúde na China foi informado de casos de pneumonia de causa desconhecida, detectada na cidade de Wuhan, província de Hubei, na China. Um novo coronavírus (2019-nCoV) foi identificado como o vírus causador pelas autoridades chinesas em 7 de janeiro.

Em 10 de janeiro, a OMS publicou uma série de orientações provisórias para todos os países sobre como eles podem se preparar para esse vírus, incluindo como monitorar pessoas doentes, testar amostras, tratar pacientes, controlar infecções em centros de saúde, manter os suprimentos certos e comunicar com o público sobre esse novo vírus.

O vírus já se espalhou pelo mundo?

Há suspeitas do vírus na Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Vietnã, Singapura, Arábia Saudita e Estados Unidos.

E no Brasil? 

No Brasil, uma mulher de 35 anos foi internada na UPA no Centro Sul de Belo Horizonte, com suspeita de ter contraído coronavírus. A paciente esteve em Shangai nas últimas semanas, e estava com sintomas respiratórios compatíveis com a doença. A Secretaria de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) disse que ela foi conduzida ao Hospital Eduardo de Menezes (HEM) para observação cuidadosa. Nesta quinta-feira (23/1), no entanto, Minas Gerais descartou o caso com base em protocolo do Ministério da Saúde.

Qual é o risco de se tornar uma epidemia? 

“Primeiro, há um surto. A epidemia é quando atinge proporções elevadas. Na China, por exemplo, é uma epidemia. Mas, em outros países há apenas casos suspeitos. Temos que trabalhar para evitar que se torne uma epidemia no mundo”, informou o infectologista Werciley Júnior.

Quais os sintomas? 

Febre, tosse, falta de ar e dificuldades respiratórias são as principais características. Em casos mais graves, a infecção pode causa pneumonia, síndrome respiratória aguda grave, insuficiência renal e até morte.

Há tratamento? 

Ainda não há tratamento para este coronavírus, como remédios e vacinas. Para Junior, no entanto, já há suporte necessário. “O que hoje nós temos trabalhado mais? No controle de disseminação. O que avançamos em relação aos outros casos? Agora tem detectação precoce. O surto já está identificado, com uma região mais intensa. Agora o trabalho é evitar que mais pessoas doentes contaminem outras”, explicou.

Há prevenção? 

Por enquanto, as pessoas devem seguir a recomendação padrão: higienização das mãos, cobertura de boca e nariz ao tossir e espirrar, cozinhar bem carnes e ovos, e evitar o contato com pessoas que tenham visitado as regiões epidêmicas.

Fonte: CB