BIAL CRITICA OPOSIÇÃO A BOLSONARO: “Só falta chamar de chato, feio, bobo e mostrar a língua”

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Foto: Gshow

Apresentador do programa Conversa com Bial, o jornalista Pedro Bial participou do programa Timeline, da Rádio Gaúcha, nesta segunda-feira (3). Na entrevista, ele falou sobre temas como a nomeação de Regina Duarte como secretária especial da Cultura, suas impressões sobre Democracia em Vertigem e as tensões entre a classe artística e o governo do presidente Jair Bolsonaro.

Para Bial, a própria natureza da posição da classe artística é estar mais exposta, pois, segundo ele, ela é “mais exibida”. Por conta da classe estar mais comumente associada à esquerda, ele apontou um aspecto que o incomoda desse nicho:

“Quando a direita ganha, então a democracia está em risco. Isso é uma interpretação torta da realidade. A democracia existe para que a esquerda, direita e centro se revezem no poder”.

O jornalista prosseguiu seu raciocínio afirmando que não é só a classe artística que tem essa atitude, mas também os movimentos identitários – movimento negro, LGBT+, deficientes e o feminista, que, para Bial, “virou em sua maioria no Brasil um feminismo marxista”.

— É uma contradição em termos, não reconheço como feminismo — acrescentou.

Para Bial, a oposição que a esquerda realiza ao governo Bolsonaro é, muitas vezes, infantil:

“Só falta chamar de chato, feio e bobo e mostrar a língua. As coisas são muito mais graves, sérias e importantes. Fica na base do “eu lacro”, “tenho razão”. O que interessa é a discussão.

O apresentador destacou ainda que há setores do governo que tem realizado coisas boas, elogiando a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, o ministro da Justiça, Sergio Moro, e o ministro da Economia, Paulo Guedes – esse último ele classificou como “um cara muito firme nas propostas, que levam à recuperação lentamente”.

Regina Duarte

De acordo com Pedro Bial, a maioria da classe artística está apoiando a Regina, porém com ressalvas. Ele avalia que há um receio que o apoio à atriz seja confundido com um respaldo ao governo Bolsonaro.

— Apoio incondicional não interessa. É sectário, é burro — opinou.

Bial comentou sobre sua entrevista com Regina em maio de 2019, a qual ele percebeu que a atriz talvez pudesse se lançar em outra frente.

— Regina estava tão preocupada em ser clara e precisa em suas colocações sobre política e cultura, que ela levou o “deverzinho” de casa escrito. Perguntei o que achava da Lei Rouanet e da relação da classe artística com o governo. Regina falou com grande equilíbrio e convicção, aí eu brinquei que ela seria a nossa ministra — recorda.

Bial ainda refletiu sobre a importância de uma pasta como a Cultura:

— Toda produção cultural é invariavelmente geradora de muito emprego, gera muito emprego. Muitos empregos são gerados diretamente ou indiretamente em cada manifestação cultural. Sem falar que é um jeito de a gente se enxergar.

Democracia em Vertigem

Indicado ao Oscar de Melhor Documentário, Democracia em Vertigem foi bastante criticado por Bial na entrevista. Segundo o apresentador, ele reagiu com muitas gargalhadas ao filme.

— Eu dei muita risada. É um “non sequitur” (expressão em latim para “não se segue”) atrás do outro. Tira conclusão de que algo leva a outro sem a menor relação causal. O filme vai contando as coisas num pé com bunda danado – avaliou. – Uma narração miada, insuportável, ela (Petra) fica chorando o filme inteiro — comentou.

Para Bial, a leitura mais interessante do filme é a psicanalítica.

— É um filme de uma menina dizendo para mamãe dela que fez tudo direitinho, que ela está ali cumprindo as ordens e a inspiração de mamãe, somos da esquerda, somos bons, não fizemos nada, não temos que fazer autocrítica. Foram os maus do mercado, essa gente feia, homens brancos que nos machucaram e nos tiraram do poder, porque o PT sempre foi maravilhoso e Lula é incrível — analisou.

Na entrevista, ele classificou o documentário como uma “ficção alucinante”:

— É mais que maniqueísmo, uma mentira.

Contudo, Bial disse que o documentário é bem executado e entende por que foi indicado ao Oscar.

— Acho que tem chance de vencer. Depois que vi Indústria Americana, acho que a academia dá o prêmio ao filme brasileiro.

Acompanhe a entrevista ao programa “Timeline”, da Rádio Gaúcha