Menores cometem uma a cada cinco mortes no DF

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Menores são apontados como autores de 132 dos 647 homicídios de 2015. Foto: Josemar Gonçalves

Crianças e adolescentes foram responsáveis por mais de 20% dos homicídios registrados no Distrito Federal no ano passado. Os menores de 18 anos são apontados como autores de 132 dos 647 inquéritos do crime instaurados e levantados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Nos dez primeiros meses do ano, o número de jovens levados às delegacias da Criança e do Adolescente (DCA) já superou todo o ano de 2015. As duas varas da Justiça que tratam de menores, por sua vez, receberam 227 processos sentenciados de homicídios e 79 tentativas de homicídio, em 2016.

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O Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea) divulgou, no fim do ano passado, uma pesquisa realizada com base em denúncias apresentadas pelo Ministério Público em todo o País e concluiu que os menores respondem por menos de 10% do total de delitos, sendo 8% nos crimes contra a vida. A maior parte envolvia furto, roubo e ligação com o tráfico. O estudo mostra que cerca de 70% dos adolescentes apreendidos tinham entre 16 e 18 anos e quase 85% eram do sexo masculino.

Em 2015, foram instaurados 613 inquéritos policiais com homicídios causados por crianças ou adolescentes apenas em sete unidades da Federação, que forneceram os registros para a elaboração do anuário. Entre eles, o DF ocupa a segunda posição com mais casos em números absolutos – atrás apenas de Alagoas, com 182 investigações.

Aqui, entre janeiro e outubro, 9.967 crianças e adolescentes foram apreendidos em flagrante e levados às delegacias especializadas, uma média de 32 casos diários. Em todo o ano passado, 8.705 menores foram conduzidos às unidades, ou 23 por dia. Os dados são da Secretaria da Segurança Pública.

Para Nelson Gonçalves, especialista em segurança pública, não é possível atribuir a alta participação de menores em homicídios a um único fator. “Começa pelas possibilidades abertas pela legislação leniente, que permite ou cria certa sensação de impunidade”, aponta.

Assim, ele crê que há brechas para que as leis não sejam responsáveis por uma restauração de comportamento. “Não é suficiente para inspirar respeito e até medo àquele que se propõe a delinquir. O infrator entende que o ganho pelo ato vale a pena em função da punição branda que receberá”, explica.

Sozinha, porém, uma legislação rígida também não solucionaria o problema. “Paralelamente, não há, do ponto de vista da gestão pública, políticas que façam com que o crime não seja opção para os jovens”, opina Nelson Gonçalves.

Hoje, segundo a Secretaria de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude, há 868 internos, entre provisórios e efetivos, nas sete unidades de internação do DF. Para o especialista, os menores não saem desses locais recuperados justamente porque não há um conjunto de ações reintegradoras: “São depósitos humanos, nada além. Só servem para amontoar os indivíduos e torná-los mais revoltados”.

Adolescentes perigosos

A insistência por um empréstimo de um videogame vitimou um garoto de 11 anos em junho deste ano, na Estrutural. Um adolescente de 15 anos golpeou o colega com uma faca de tipo peixeira e amarrou seu corpo com um arame em uma área onde se queima lixo, e o cobriu com um colchão velho. O menino foi carbonizado após a morte e o autor da infração acompanhou toda a perícia policial de perto.

Segundo a polícia, o infrator não demonstrou remorso e ainda tentou limpar o local com a própria roupa. O caso causou comoção e revolta no Distrito Federal.

Em julho, três adolescentes, incluindo uma grávida de 17 anos, foram apreendidos após participarem de um assassinato em Ceilândia. Eles teriam golpeado com facas e pauladas uma jovem de 22 anos e depois ateado fogo no corpo dela.

Oito tiros

O caso mais recente, porém, aconteceu em setembro, no Paranoá. Um adolescente de 17 anos confessou ter matado desafeto com oito tiros na cabeça. O menor apontou o local onde estava o revólver calibre 38 utilizado no crime.

Fonte: Jornal de Brasília

1 COMENTÁRIO

  1. Apenas em 2012, os menores infratores mataram 4 x mais que os militares em 21 anos. Os menores mataram cerca de 1.848, os militares, 424.
    Além é claro, que a diferença é que, os 424 mortos em 21 anos do regime militar, ocorreram em sua maioria em confronto armado, e esses mortos, não se deve esquecer que, a maioria também era composta por criminosos que assaltavam, matavam e sequestravam.
    Os dados estão em um livro escrito pelo petista mineiro Nilmário Miranda, ex-secretário de direitos humanos do Governo Dilma. E, ele diz no livro que essa quantidade de mortos pelos menores são “apenas”.

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