Discurso de Frejat atrai o eleitorado, mas afasta politiqueiro

1447

Por Fred Lima – fredlima.blog.br

A política tradicional (ou velha política) exige que um pré-candidato fatie o seu governo com os partidos que o apoiam antes da campanha. Dessa forma, o projeto de poder acaba falando mais alto que o de Estado. Depois, escândalos de corrupção surgem no horizonte e desgastam a administração que foi eleita por meio de negociatas e divisão de cargos.

No atual sistema político, um governante necessita ter maioria no Legislativo para governar. Porém, a tal maioria é obtida mediante a indicação de nomes da cota parlamentar para compor o governo. Daí surge alguns incompetentes, desonestos e despreparados, indicados por seus padrinhos, que votam a favor do governo em troca de cargos no Executivo, uma compra de votos descarada.

Na eleição deste ano, um político antigo resolveu adotar o discurso da ética pública, mesmo tendo feito parte do governo Joaquim Roriz, que é até hoje bastante questionado nesse quesito. Entretanto, o período em que geriu a pasta da Saúde é lembrado pelos servidores como o casamento da ética com a eficiência.

Jofran Frejat (PR) agrada o eleitorado brasiliense ao afirmar que em não fará “pacto com o diabo” para ser governador. Quem fez caiu no inferno e de lá não saiu. As operações Caixa de Pandora, Lava Jato e Panatenaico não mentem. Além dessas operações, outros esquemas foram descobertos e custou o mandato de políticos que outrora eram venerados pelo povo.

Só que o discurso de Frejat contra o fisiologismo desagrada os adeptos da politicagem. Por este motivo, o republicano tem trilhado quase que sozinho o caminho rumo ao Palácio do Buriti, sem ceder à pressão daqueles que estão mais preocupados com a divisão de cargos, não com os graves problemas do DF.

Se continuar assim, o pré-candidato do PR continuará caindo no gosto popular, mas afastará mais ainda aqueles que querem apenas o bolo e sua cereja e, caso vença, terá a chance de escrever o seu nome na história da capital, ao adotar a nova política como parâmetro de governo.