PMDF: OS INTERESSES PESSOAIS ACIMA DOS COLETIVOS

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Rollemberg, Marcos Dantas, Ribas e Roosevelt Villela

Não é de hoje que a Polícia Militar demonstra, apesar de seu grande potencial de agregação, a falta de coletividade. O resultado disso é mais de oito anos sem nenhuma representação, pois Patrício não passou e um fiasco.

A tropa, na sua maioria, já cansou de ouvir pseudos-representantes fazendo suas pirotecnias midiáticas em busca de projeção pessoal e deixando e lado o verdadeiro objetivo que é o coletivo.

Os candidatos, ou pré-candidatos, estão preocupados em formar suas bases e tentarem, a todo custo, se eleger. Se farão bom trabalho ou não é outra questão. Isso só poderemos avaliar quando estiverem lá, se estiverem.

A mais recente polêmica gira em torno de um possível realinhamento ou readequação na Lei 12.086/09 que, mal elaborada, prejudicou muito a corporação e deixou a desejar.

Lideranças ou pseudo-lideranças achando que podem falar pela maioria passaram a carroça na frente dos bois. Atropelaram o processo natural das coisas e buscaram no governo do Distrito Federal um alento para a discrepância que é a carreira militar através de um plano de carreira que sequer foi discutido com a maioria.

Agora o que mais surpreende é o fato de que quem está por trás dessa manobra eleitoreira é nada mais nada menos que o ex-chefe da casa militar, Cel Cláudio Ribas, junto com o suplente de distrital Roosevelt Vilella. Ambos, apesar de bom trânsito no governo, não poderiam assumir tamanha responsabilidade antes de consultar as categorias.

Ao não divulgarem amplamente o que pretendiam, tomaram para si uma responsabilidade que não lhes pertence. A “proposta” não é de conhecimento de todos e, portanto, não tem legitimidade. Ribas, ao tomar frente de algo que hoje não lhe diz respeito (pois quando chefe da Casa Militar ficou inerte) demonstrou total incapacidade de lutar por causas nobres dentro da corporação. Por que não fez isso quando detinha o poder e a caneta nas mãos?

Algumas perguntas precisavam de respostas. E a pergunta principal é se a Casa Militar e Comando Geral estão inseridos e participando efetivamente desta construção, já que tudo e toda e qualquer informação referente aos assuntos da tropa passam por eles? Para tanto, smj, precisa-se o aval de ambos, pois, representam o governo e respondem pelo governo.

Outro questionamento viável seria: Se ambos estão participando das tratativas, Casa Militar e Comando, para que supostamente essa proposta seja encaminhada às instâncias superiores, lideranças e associações estão participando, opinando e construindo uma proposta que atenda ativos e inativos e a corporação como um todo?

Ouvido as partes, o Comando Geral da corporação nega qualquer participação nesse episódio. Ao contrário, afirma não estar envolvido com nenhuma reestruturação, já que outra havia sido apresentada e o governo se negou a enviar ao Palácio do Planalto algo que chegaria próximo aos 300 milhões de reais num momento de recuperação da economia, inclusive local.

Na verdade, e isso é muito ruim, politiqueiros estão buscando aproveitar-se da situação dos órgãos de segurança para buscarem seus dividendos políticos. Querem, como sempre, ludibriar as classes para que lá na frente colham seus louros políticos e nós apenas fiquemos como coadjuvantes.

Na Casa Militar, que cabe tratar de assuntos diretamente ligados às corporações, não existe nenhum documento oficial protocolado para que dê andamento ao proposto. Pela lógica, isso deveria ser tratado, inicialmente, nessa secretaria. Atualmente, segundo apurado, a chefia da Casa Militar se limitou apenas a uma apresentação de Power Point, sem maiores detalhes importantíssimos como o impacto financeiro e a proposta efetiva.

PM e BM: Readequação? Realinhamento? Mas e a intervenção militar? Será que é mais uma promessa de Rollemberg?

Sabemos que em todo período eleitoral promessas e mais promessas de cunho eleitoreiro é o que mais aparece. No meio militar essas promessas são conhecidas como “bizus” e, como tal, já começaram a surgir pelos quatro cantos das casernas.

O mais novo e fresquinho trata-se desse “Projeto de Readequação” (ou alinhamento) que, segundo os bizus, estaria sendo confeccionado para ser apresentado as categorias de Policiais e Bombeiros Militares. Segundo ainda as conversas de corredor, esse projeto foi idealizado por um grupo formado por militares das duas forças e capitaneado pelo ex-chefe da Casa Militar do DF, Cláudio Ribas, que, coincidentemente, acaba de ser nomeado com um CNE 02 no DFTRANS como Diretor da Diretoria de Terminais do órgão com as bênçãos do suplente de distrital Roosevelt Villela, que também é bombeiro militar e pré-candidato distrital, além de fiel escudeiro de Rollemberg.

De acordo com fontes ligadas ao Palácio do Buriti, internamente o governador Rodrigo Rollemberg admite que nas eleições de 2014 fez a promessa de elaborar um projeto de restruturação para a PM e BM do Distrito Federal, mas que falhou em não cumpri-la, o que ocasionou uma rejeição tremenda no seio das casernas. Agora, após 3 anos e 5 meses de governo e lutando para uma reeleição contra índices de rejeição superior a 85%, Rollemberg quer de toda forma tentar corrigir o erro do passado e agradar os militares.

No entanto, existem barreiras que podem dificultar a tentativa de Rollemberg e daqueles que querem tirar proveito eleitoral do fato. A chamada “limitação circunstancial da Constituição”, segundo o Artigo 60, Parágrafo Único, diz que ela não poderá ser emendada, ou seja, não pode haver alteração da constituição enquanto houver intervenção federal e isso está acontecendo no Estado do Rio de Janeiro. Dessa maneira, através de um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) isso é praticamente impossível de acontecer, restando somente a possibilidade de uma Medida Provisória (MP). Mas, nesse caso, as MPs também estão limitadas a interesses nacional e não individuais.

Outro fator que pode barrar as pretensões do PSBedista é o fato de que, claramente, ele não tem bom trânsito no Palácio do Planalto e buscar entendimento para a edição de uma MP seria outro calo no sapato de Rollemberg, até porque seu relacionamento com a bancada federal do DF no Congresso é péssima e a maioria faz oposição ao seu governo.

Fizemos contato com um dos políticos mais próximos do presidente Michel Temer, o ex-vice governador e presidente regional do PMB-DF, Tadeu Fillipeli. “Acho estanho a movimentação do governo do DF em pedir uma MP num momento que ocorre intervenção no Rio de Janeiro, medida que impossibilita a tramitação de qualquer MP na Câmara Federal. Rollemberg está tentando resgatar sua imagem perante a PM e BM, porém esta movimentação não está levando em conta as particularidades do momento político e como contorná-las. Ele passou pela Casa e sabe como as coisas funcionam”, disse.

Bom, vamos aguardar…

Por Poliglota…