A ARTE DE SER MÃE

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Escrito por Karina Linhares – Fonte: PMDF

Ser mãe e policial militar simultaneamente não é uma tarefa fácil. É arte, quando lida com toda sensibilidade, porém com força e destreza. É equilíbrio, quando une serenidade e coragem. É fé, quando deixa seus pequeninos em casa e sai às ruas da cidade para cumprir um dos trabalhos mais perigosos do mundo: lidar com os mais diversos tipos de crime. Colocam a própria vida em risco, no intuito de salvar vidas desconhecidas. Ser mãe de policiais militares também é um árduo ofício. Imagine ver seu filho saindo de casa para trabalhar sem saber se voltará? Essas são apenas algumas histórias da vida real, narradas para o especial de Dia das Mães PMDF, a fim de representar esse universo maternal e policial, que torna essas mulheres tão incríveis.

Mães Policiais

A mãe do pequeno Miguel, 6 anos, soldado Kireinalysi lotada na Unidade Patamo, iniciou sua carreira como mãe e policial na mesma época. Logo que passou no concurso os desafios aumentaram. Ela conta que descobriu a gravidez cerca de três meses após o início do curso de formação de praças, em seguida, teve deslocamento de placenta, motivo pelo qual quase perdeu o bebê. “Depois, foi conseguir conciliar um outro curso de formação com uma criança necessitando de todos os meus cuidados”, afirma Kireinalysi. Ela assegura que a rotina é bastante puxada e que precisa se desdobrar entre suas escalas de trabalho e as de seu marido, que também é policial. Mas garante que nos momentos de folga se dedica totalmente ao filho. A profissão policial é arriscada, disso todos sabem, mas a policial acredita que a palavra-chave é equilíbrio e entende que por trás de alguns criminosos exitem mães que sofrem pelos atos deles “me coloco na situação, na qual nunca quero estar”. A soldado narra uma ocorrência que atendeu, na qual o fato de ser mãe influenciou positivamente em seu desfecho “eu era do GTOP 24 e minha equipe havia sido escolhida para acompanhar um oficial de justiça em um bairro chamado Santa Luzia, na cidade Estrutural. Era uma criança de mais ou menos três anos que deveria ser retirada dos braços da mãe por inúmeros motivos, mas de forma alguma se separavam, eram gritos e choros incessantes. Quando desci da viatura fui até a criança, conversei com ela, falei do meu filho, mostrei até foto, acalmei a menina e a peguei no colo. Neste momento ela parou de chorar e contribuiu com o desfecho da ocorrência, preservando a integridade da criança”.

Tenente Valadares, hoje lotada no Centro de Comunicação Social da PMDF, é mãe de um lindo garotinho de 10 meses. A policial acredita que ser mãe é um processo de doação plena “dedicação integral, falta de tempo para sono, para uma refeição ou até mesmo para um banho” e enfatiza “nosso universo muda, mas em troca a gente recebe algo que é inexplicável. Você aprende a enxergar a mais pura beleza em um sorriso ainda sem dente, aprende que mesmo sem dizer uma palavra consegue saber exatamente o que ele precisa, você nota que tudo pode ser um perigo para um ser ainda tão frágil e principalmente, diante de toda essa fragilidade, consegue perceber o quão forte você é e o quanto é importante para seu filho”. Ela assegura que sua rotina dificilmente pode ser programada “A única previsão que consigo fazer no dia é que hoje será diferente de ontem, e que, se tenho um horário a cumprir, haja estratégia e logística”. De acordo com Valadares, a tarefa de ser mãe e policial simultaneamente é buscar sempre desenvolver um trabalho focada em gerar resultados onde todos os cidadãos de bem possam se beneficiar, inclusive o próprio filho, que a policial garante “é o meu maior bem”.

“Os desafios começaram no Curso de Formação de Oficiais no regime de internato. Foi bem difícil ficar tanto tempo longe de casa. Logo que acabou o CFO, tivemos o Eduardo, nosso segundo filho que nasceu com Síndrome de Down e ficou na UTI, bem na à época em que eu era aspirante, momento em que tive que também terminar o trabalho monográfico de conclusão do curso. Hoje, meu maior desafio é conseguir conciliar a rotina de atividades dos 3 filhos.” Essa é a história da super mamãe tenente Lygia. Lotada na Seção de Orientação Educacional e Psicopedagógica do Colégio Tiradentes, a policial garante que se sente honrada em trabalhar para os filhos de policiais militares. Ressalta ainda que seu dia é intenso,“minha rotina é bem intensa, pois tenho que acompanhar meus filhos em todas as atividades. Gustavo tem 9 anos e sonha seguir carreira militar, desde já faz cursinho preparatório, além de natação e inglês. Dudu tem 2 anos, faz várias terapias como fonoaudiologia, psicopedagogia, fisioterapia, equoterapia e natação. Daniella tem 1 ano, faz apenas natação”. A mãe, tenente Lígia, compara o papel de ser mãe e policial simultaneamente, “ser mãe é maravilhoso, porém um trabalho, assim como o nosso serviço de policial militar. Quando somos mães conseguimos ter maior sensibilidade e conhecimento em determinadas ocorrências. Em ocorrências que envolvem crianças e adolescentes parece que a adrenalina é um pouco maior, é uma grande responsabilidade zelar pela vida e integridade dos menores que são hipossuficientes e necessitam de maiores cuidados e proteção do Estado.”

O que sentem as mães de policiais militares?

A mãe do cabo João Chamizo, dona Maria Helena é professora, assegura que quando o filho escolheu ser policial militar ela ficou assustada, “todos sabemos do risco da profissão.” Ela destaca que mesmo já tenha pensado diversas vezes que o filho poderia ter escolhido outra profissão, menos perigosa, hoje, se orgulha e respeita a decisão “confio nas escolhas e decisões do João, sei que ele sabe se cuidar, sabe também cuidar dos outros, sei também do seu caráter e senso de justiça. Esse é o sentido da profissão’.

Sentir orgulho pela escolha da profissão da filha e ao mesmo tempo preocupação. Esse é sentimento da mãe da Soldado Débora, dona Maria Morais que é técnica em enfermagem. “Eu sinto um orgulho muito grande e também sempre incentivei minha filha” mas confessa que às vezes fica preocupada, “nesses momentos coloco na presença de Deus”.