Políticos do Executivo e Legislativo têm prazo curto para compor alianças

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Palácio do Buriti: disputa acirrada contra a reeleição de Rollemberg(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press )

Correio Braziliense – 12/05/2018

Definições dos concorrentes para vagas no Executivo e no Legislativo devem ser tomadas apenas no limite das datas determinadas pelo TSE, ou seja, entre 20 de julho e 5 de agosto. Cenário para o Palácio do Buriti segue em aberto

A menos de cinco meses para as eleições, o jogo político no Distrito Federal permanece aberto. Alianças e composições, principalmente para a disputa pelo Palácio do Buriti, só devem ser definidas no limite dos prazos estabelecidos pela Justiça Eleitoral. Operações policiais como a Panatenaico devem embaralhar ainda mais o jogo. A segunda fase das investigações, deflagrada na última sexta-feira, mira o superfaturamento na construção do BRT Sul e pode complicar nomes que pretendem disputar as eleições deste ano.

O calendário eleitoral (veja arte) estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina que as convenções para a escolha dos candidatos devem ser realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto. Depois disso, partidos e candidatos têm até 15 de agosto para submeter os registros das candidaturas. Os pedidos precisam ser julgados e aprovados pela Justiça Eleitoral até 17 de setembro, data-limite também para que as siglas apresentem concorrentes substitutos, em caso de negativa ou renúncia, o que pode alterar o quadro estabelecido nas convenções.

Enquanto isso, pré-candidatos e partidos no DF seguem as discussões internas. Candidato à reeleição, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) deve tentar, até os últimos instantes, uma aliança com grupos de esquerda. Presidente do PSB no DF, Tiago Coelho afirma que o partido negocia com diversas agremiações. “Estamos conversando, principalmente com partidos progressistas”, revela.

Com a desistência de Joaquim Barbosa à candidatura para a Presidência da República, uma aliança com o PDT, que tem Ciro Gomes como pré-candidato ao Palácio do Planalto, começou a ser considerada. “É um dos caminhos a serem analisados, possíveis. Trata-se de um partido que faz parte do campo progressista e com o qual ainda mantemos conversas com bastante intensidade”, comenta o presidente do PSB no DF.

Mesmo com indefinições e divisões internas, o PDT, pelo menos até agora, tem planos diferentes, pois almeja candidatura própria. O nome mais cotado era o do presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle. O distrital, no entanto, recuou a candidatura ao Buriti para pleitear uma vaga ao Senado. “A nossa convenção ainda é em julho. Estamos em trabalho interno, construindo as posições dentro do partido para termos um grupo homogêneo até lá”, esclarece Joe. Mesmo sem o distrital na candidatura principal, o PDT estuda outras frentes para se manter na disputa ao cargo. Um dos nomes mais cotados é o do jornalista Hélio Doyle, que se filiou ao partido neste ano. Doyle atuou como chefe da Casa Civil no início do governo Rollemberg e se firmou como um dos principais articuladores da campanha do socialista ao Buriti em 2014.

Consenso

O quadro é ainda mais aberto no PT. O partido não tem sequer pré-candidato anunciado e precisa correr para viabilizar um nome. Até agora, apenas o bancário aposentado Afonso Magalhães se colocou à disposição para a disputa. Presidente do partido no DF, a deputada federal Erika Kokay garante que o PT terá candidato próprio, sem alianças eleitoreiras. “Os nossos limites estão dados. Somos oposição a Rollemberg, não há qualquer possibilidade de compor com ele e também não vamos compor com a direita”, aponta.

Pré-candidato pelo PR, o ex-secretário de Saúde Jofran Frejat está firme na posição de se lançar ao Buriti, mas admite que o cenário permanecerá indefinido até o fim dos prazos eleitorais. “São questões que precisam de tempo e de entendimento”, resume. Frejat admite que há avanços com o MDB, mas não confirma a possibilidade de o candidato a vice vir dessa sigla, por indicação do ex-governador Tadeu Filippelli. “Nada está certo, mas temos conversas adiantadas com o MDB e outros partidos. Queremos formar uma chapa que tenha credibilidade e força para a disputa”, diz. Ele dá como garantidos os apoios do deputado federal Alberto Fraga (DEM) e do ex-governador Paulo Octávio (PP), que almejam vaga ao Senado.

Além disso, um grupo de centro-direita apoiado pelo senador Cristovam Buarque (PPS) e pelo deputado federal Rogério Rosso (PSD) se formou para escolher entre três nomes. Estão no páreo o deputado federal Izalci Lucas (PSDB), o empresário Wanderley Tavares (PRB) e o ex-distrital Alírio Neto (PTB). O grupo, ex-aliado de Frejat, encontra dificuldades para chegar a um consenso e ainda não divulgou o escolhido para a candidatura a governador. Os mais cotados são Izalci e Alírio.

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Articulações

(foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press )

Rodrigo Rollemberg (PSB)

Deve buscar alianças com a esquerda até o fim dos prazos

(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )

Jofran Frejat (PR)

Ainda procura definir vice e outros apoiadores

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press )

Joe Valle (PDT)

Desistiu da candidatura ao Buriti e espera definições partidárias

(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press )

Eliana Pedrosa

Reafirma desejo de disputar o Buriti, mas não descarta mudanças