O perigo é o guarda da esquina

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Rosa Weber

Aos trancos e barrancos. Assim chega o Brasil às urnas neste domingo. Um candidato esfaqueado e seu antagonista encarcerado. Para completar o quadro surrealista, a gritaria de fim de festa são as acusações de invasão de universidades pela Polícia. Quem mandou? Ah! A juíza.

Esses magistrados de primeira instância fazem lembrar a frase fatídica do ex-vice-presidente da República Pedro Aleixo, quando lhe apresentaram o AI-5 para assinar. Ponderou que seria um poder desmedido. Os ministros perguntaram-lhe se ele não confiava na firmeza dos princípios democráticos do presidente Costa e Silva. Então ele disse a frase que ficou como uma advertência para a História: “O que me preocupa é o guarda da esquina”, referindo-se ao descontrole inerente a essas delegações de poder. Neste sentido, parece que o ativismo do Supremo e de outros tribunais superiores chegou aos “guardas da esquina” e eles mandaram invadir universidades.

Aí está o final da corrida presidencial? Ou o começo de uma nova jornada, ou um salto no escuro, como dizem uns e outros. Uns, à direita, dizem que são novos tempos chegando; outros, à esquerda, temem o que virá por aí. Os juízes, entretanto, desde os do STF, garantem que a Lei prevalecerá, impedindo ditaduras e excessos. Terá o recado da ministra Rosa Weber, puxando orelhas de juízes afobados, reforçada pelas declarações enérgicas de outros ministros do Supremo, a força para deter as canetas dos togados de primeira instância? Aí mora o perigo aventado pelo mineiro Pedro Aleixo.

Entretanto, lamentavelmente as campanhas dos candidatos entraram nos fatos procurando criar constrangimentos e faturar vantagens na propaganda. Com isto, esconde-se sob a retórica do tiroteio eleitoral a gravidade do fato em si. É de se observar que o voluntarismo desses juízes é o cassetete do “guarda da esquina” ganhando espaço no empurra-empurra entre os três poderes. Olho neles, diria o senador Álvaro Dias.

Blog Edgar Lisboa