Eleição do presidente da CLDF é assunto dos distritais e do governador. Será?

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Alheio ao comando do Legislativo, cidadão é diretamente impactado por boas e péssimas decisões do presidente da CLDF

Por Kleber Karpov

A população mostrou nas eleições desse ano, que esteve atenta ao impacto do jogo político ao longo dos últimos anos. Desde a redemocratização do país, em 1985, em especial em 2018, o povo forçou uma renovação de peso no Congresso Nacional. E na Câmara Legislativa do DF (CLDF), não foi diferente. Dos 24 distritais, embora três, Celina Leão (PP), Professor Israel (PV) e Julio Cesar (PRB) tenham ascendido à Câmara dos Deputados, apenas oito, permaneceram na CLDF.

Mas recado dado, em 2019, ao todos 18 novos distritais devem assumir a CLDF. Aliás, 17 na verdade, se considerado que a ex-governadora, Arlete Sampaio (PT), já passou pela Casa. Agora, o novo desafio, dos parlamentares e, eventualmente, do governador será emplacar o próximo presidente da Câmara Legislativa. Para muitos, assunto restrito aos entes do Legislativo e do Executivo. Mas será?

Vale a pena resgatar o mandato do governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), que teve no início da gestão, a distrital Celina Leão à frente da CLDF. Da base do governo, a Leoa foi responsável por garantir que a Casa colocasse na pauta de votação, temas sensíveis à população, à época considerados necessários para a recuperação financeira do DF, a exemplo de aumento de impostos.

Celina Leão é um case interessante, pois, após um curto ‘romance’ com o governo, a Leoa também foi responsável por deixar Rollemberg, em saia justa, mesmo com uma base sólida na CLDF. O Chefe do Executivo teve lidar com temas pesados, fora da agenda de interesse do Executivo, além de enfrentar o peso da CPI da Saúde, ou ainda, dos Transportes, que deram início à mácula da gestão do socialista.

Considerado por muitos, uma espécie de contra-ataque do Executivo, a gestão de Celina Leão foi interrompida via Judiciário, por força da polêmica ‘Operação Drácon’ protagonizadas pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e da Polícia Civil do DF (PCDF), que resultou na destituiçõa de seis membros da mesa diretora da CLDF, entre os quais, a presidente da CLDF.

Na sequência, em 2017, em nova eleição para escolha do novo presidente da CLDF, o deputado distrital, Joe Valle (PDT), à época sob o comando da supersecretaria de Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, deixou a pasta disputar a direção da Câmara Legislativa, com a ‘bênção’ de Rollemberg.

Considerado da base do governo, Valle prometeu fazer uma gestão isenta, em que o Legislativo, nas mãos de Juarezão (PSB), deixaria de ser ‘um puxadinho do Executivo’. Mas, ainda assim, na gestão do pedetista, Rollemberg conseguiu pautar, por diversas ocasiões, em votações relâmpagos, em ‘caráter de urgência’, temas de interesse de Rollemberg.

Um dos mais polêmicos, foi a criação do Instituto Hospital de Base do DF (IHBDF), que abriu as portas para o socialista, tentar mudar o modelo de gestão de mais de 10 unidades hospitalares do DF, como constou no plano de governo do socialista. Mudança essa que, entrou no roll de promessas de Ibaneis, rever o IHBDF. Aliás, assim como também várias outras ações consideradas desastrosas do sociaslista, a exemplo do aumento de impostos, ou do super-poderes da Agência de Fiscalização de Brasília (AGEFIS).

Comando do Legislativo

Passado as eleições e a vitória esmagadora de Ibaneis Rocha, com cerca de 70% dos votos, na disputa contra Rollemberg. Aliado a renovação de 73% dos distritais na CLDF, o novo Legislativo começa a se movimentar na disputa da presidência da Casa.

Dentre os postulantes, veteranos, que permaneceram na casa, embora negue ter expressado publicamente tal vontade, surge no cenário está Rafael Prudente (MDB), nome considerado ‘natural’ por ser da mesma legenda do governador eleito. Sem oposição ou situação velada, um nome que deve ser analisado, pela história em decorrência da atuação parlamentar, sobretudo na gestão de Rollemberg.

Reginaldo Veras (PDT), por sua vez, adiantou ao se lançar candidato. No entanto, deve ceder o espaço o também pedetista, Claudio Abrantes, mais velho na Casa, caso anuncie candidatura. Abrantes, timidamente, se coloca no páreo, com a vantagem da lealdade a Ibaneis Rocha, mesmo após a Executiva Nacional do PDT anunciar apoio ao PSB,  de Rollemberg.

Mas, conforme entrevista ao Metrópoles, a menos que esteja ‘escondendo o jogo’ ao sugerir, como relevância do cargo a oportunidade de ‘colocar o nome na história’ do DF, Abrantes corre o risco de ser engolido por postulantes menos ‘ingênuos’, ou mais decididos a ‘colaborar para o desenvolvimento e crescimento do Distrito Federal’.

Outro nome ‘forte’, Agaciel Maia (PR), também atua nos bastidores se posicionar para a disputa. Considerado uma ‘raposa’ na arte de fazer política, sobretudo após os 14 anos à frente da direção da gráfica do Senado Federal, Maia pode ser preterido, por atuar na liderança do governo Rollemberg.

Com a legenda partidária, atualmente, em franca oposição a gestão do socialista, e o derretimento do PSB, que isolado, deve contar apenas com o peso de dois distritais eleitos, na próxima legislatura, Maia pode ter dificuldade em projetar o nome para tentar presidir a casa.

Dos postulantes ‘veteranos’, que se movimentam para possível disputa à presidência da CLDF, há ainda Rodrigo Delmasso (PRB) que, nos bastidores deve explorar o rompimento  de apoio a Rollemberg e o apoio declarado à Ibaneis Rocha. Embora tenha o desafio de lidar com a redução da bancada evangélica na Casa.

Mas, não se deve descartar ainda, o poder de fogo dos 18 distritais ‘novatos’, que podem atuar e mexer com o tabuleiro do xadrez, na disputa pela presidência da CLDF seja com a criação de um bloco próprio ou o apoio a alguns dos veteranos. Nesse caso, aqueles que estiverem melhor antenados com os anseios da população, refletiva na eleição de Ibaneis Rocha, podem ser os ‘beneficiados’.

E o meu ‘pirão’?

O cidadão comum, por sua vez, que em muitos casos, sequer toma conhecimento da disputa do comando da CLDF, por considerar um assunto de mera ‘gestão interna’, ignora o real poder, e impacto, que o presidente da Casa pode ter na vida dos ‘reles seres mortais’.

Poder esse, que pode facilitar, dificultar ou até inviabilizar medidas que impactam diretamente na vida e no dia-a-dia das pessoas. Sejam nos reajustes de impostos ou tributos, que impactam no custo do IPVA, IPTU, combustíveis, transporte, água, luz, ou nas definições de políticas públicas, instalações de equipamentos públicos, como as escolas, praças, unidades de saúde, ou ainda, nas definições do orçamento a ser utilizado pelo governo para contratação de servidores e investimentos na cidade.

Eleição essa que, no momento em que a população do DF, ao eleger Ibaneis Rocha, apontou a necessidade de melhorias na Saúde, Segurança, Educação, Mobilidade e em outros segmentos. Além do resgate e mellhoria das condições de vida do cidadão brasiliense. A definição do nome de um presidente da CLDF, antenado com os mesmos anseios, depositados nas urnas, ao eleger os representantes do DF, estão diretamente relacionados.

Nesse contexto, a pressão exercida por esse mesmo cidadão, capaz de provocar tantas mudanças no perfil da classe política, também pode e deve ser utilizada, para deixar claro, à esses representantes, quem e como deve ser a atuação do representante ‘mor’ do Legislativo.