“Ele (Ibaneis) prometeu que não haveria diferenciação de tratamentos”, diz coronel sobre proposta de aumento para PMs e BMs

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Governador Ibaneis recebe da mão da Comandante Geral da PM, Cel Sheila, a proposta de Reestruturação Administrativa da Corporação

Na comemoração dos 210 anos da Polícia Militar do DF, as categorias de militares do Distrito Federal (PMs e BMs) não conseguem entender porque a morosidade na apresentação e encaminhamento de uma proposta de reajuste para as categorias, promessa de campanha do governador Ibaneis Rocha (MDB)

Postado por Poliglota com informações Metropoles.com

“É inadmissível que passados quase 150 dias de governo a Polícia Civil tenha já disponível no governo federal uma proposta de reajuste enquanto os militares sequer têm uma elaborada”, disse o Coronel Wellington Corsino, presidente da Associação dos Militares Estaduais do Brasil (Amebrasil).

A novela se arrasta desde o início de governo, quando a Polícia Civil fez seu lobby e apresentou sua proposta de reajuste, enquanto a PM e o BM ficaram para trás. Imediatamente após receber a proposta dos Civis o GDF tratou de encaminhá-la à Casa Civil da Presidência da República para apreciação. Como os militares não tinham proposta alguma, o governador não quis entrar no mérito e fez sua parte encaminhando-a ao governo federal.

O blog ouviu algumas autoridades dentro e fora da corporação e também alguns representantes das associações de classe que representam as categorias. O clima é de completa decepção, principalmente por alegarem ter dado apoio à eleição do então candidato, Ibaneis Rocha, hoje governador.

Semana passada uma reunião do Fórum de Associações (entidades que representam as categorias) se reuniram com o objetivo de traçar estratégias para saber em que pé anda a situação, quais os interesses do governo em cumprir sua promessa de campanha e o que farão se a coisa não andar.

Dessa reunião participaram os deputados eleitos pelas categorias, Hermeto (MDB) e Roosevelt Vilela (PSB), que se comprometeram a ajustar uma agenda proativa com o governador para as tratativas necessárias. As críticas aos parlamentares vão desde a falta de interesse em se aprofundar no tema até a possibilidade de não terem sido sequer consultados a respeito pelo próprio governo.

Nas redes sociais o clima é tenso, afinal, são os termômetros para muitas decisões de governantes. Alguns comentários, obviamente sem a identificação e seus autores, fiz questão e reproduzir para que seja avaliado o alto grau de insatisfação. Veja:

“Quando eu alertei aqui que as coisas estavam acontecendo e o nosso pessoal alheio a tudo. Teve gente que duvidou e disse que os nossos representantes estavam acompanhando tudo. A PCDF já tinha entregue sua proposta de reajuste ao governador e a PM/BM brigando entre si, nas redes sociais por reajuste ou reestruturação ou mesmo os dois. Resultou que nenhum, nem outro. O tempo foi passando e passou e a proposta não andou e os nossos representantes não sabiam de nada. O tempo é o senhor da verdade e provou que não tinha nada e não tem. Que os cegos vejam e os surdos ouçam. A Civil fechou nos 37%, O cavalo passou montou e foi embora e nós? Estamos debatendo até hoje os 37% e reestruturação. O debate continua, gente vendendo sonhos, gente acreditando em fadas, gente acreditando que o Policial Militar vai virar subtenente com 13 anos e tem gente que esqueceu que somos militares, que a estrutura é piramidal. ”

“Não dá pra entender como um governador promete uma coisa, torna-se parcial e não cumpre seu papel que o levaram a vitória, ou seja, promessas de campanha. Se quer governar bem que tire como exemplo a falta de compromisso de governos passados que nos enrolaram por anos. ”

“O governador já se mostrou uma pessoa de compromisso e pulso forte. Porém, por nunca ter sido político, não tem como avaliar o que seja uma “Operação Tartaruga” numa instituição de tamanha importância no contexto de segurança pública na capital federal. Espero que ele seja sensível e dê ordem a quem de direito para que desenrole essa celeuma que se criou já em seu primeiro ano de mandato. ”

Esperança

Por outro lado, num evento realizado no Palácio do Buriti pela comemoração dos 210 anos da Polícia Militar, o governador Ibaneis Rocha (MDB) ressaltou que vai cumprir todos os compromissos com as forças de segurança. Disse que “A questão da Polícia Civil já foi encaminhada. Nós temos um parecer favorável do Ministério do Planejamento. Agora, vamos trabalhando pouco a pouco para conseguirmos cumprir tudo aquilo que foi nosso compromisso”, comentou o emedebista. No entanto, não precisou datas e muito menos percentuais a serem aplicados numa possível valorização salarial. Isso cria expectativas e instabilidades.

Reestruturação

Em meio às discussões de reajuste, a coronel Sheyla Sampaio, comandante da PMDF, apresentou, nessa segunda-feira (13/05/2019), proposta de reestruturação administrativa da Força. Na avaliação da corporação, a reforma dará mais autonomia aos batalhões, que serão comandados por tenentes-coronéis. Atualmente, as unidades são geridas, em sua maioria, por oficiais da patente de major.

Hierarquicamente, os tenentes-coronéis têm mais autoridade e poder de decisão para deflagrar ações e tomar medidas. Eles podem tanto designar viaturas para reforçar o policiamento quanto aumentar a segurança em escolas. Capacidade de gestão que hoje não está presente nos quartéis regionais, segundo justificativa da corporação. As alterações, segundo a PMDF, não terão impacto financeiro.

Policiais e Bombeiros militares aguardam, ansiosos, o desenrolar dessa história.