Guedes é contra reduzir salário de servidor, mas quer congelamento

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HUGO BARRETO/METROPOLES

Ministro da Economia afirmou que, no cenário de economia muito afetada pelo coronavírus, não faria sentido atingir quem tem poder de compra

Enquanto cresce no Congresso, e na própria equipe econômica, uma discussão para propor redução salarial de servidores públicos como uma espécie de cota de sacrifício da categoria no meio da imensa crise criada pelo avanço do coronavírus, uma voz inesperada se levantou para tentar interromper a conversa: a do ministro da Economia, Paulo Guedes, notório ultraliberal, e tido como arqui-inimigo por entidades do funcionalismo.

“Não faz sentido macroeconomicamente”, afirmou, sobre a possibilidade de cortar salários dos funcionários públicos do país. A declaração foi dada durante uma videoconferência com representantes do mercado financeiro na noite de sábado (28/03). Guedes, contudo, não deixou de expressar um desejo que desagrada a classe: “Já que o setor privado foi para o desemprego, foi para o auxílio emergencial, o funcionário público que está em casa, no isolamento, recebendo salário integral, então, pelo menos contribua com o Brasil. Quebra essa espiral de aumentos pelo menos dois, três anos”.

No caso, o ministro deixou no ar o que seria praticamente uma troca: em vez de reduzir salários e jornadas (há propostas de que isso chegue a até 50%), os servidores teriam que aceitar ficar sem aumentos por até três anos.

A justificativa de Guedes é pragmática. Ele trabalha com o cenário de forte elevação do desemprego e de fragilidade econômica por queda de consumo, por conta das medidas destinadas a impedir o espalhamento do coronavírus pelo país. Neste panorama, cortar de quem tem renda assegurada seria contraproducente.

A postura do ministro da Economia bate de frente com a do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que chegou a afirmar que um texto coletivo, subscrito por vários partidos, prevendo a redução temporária de salários para servidores dos três Poderes (incluindo os de deputados e senadores), está em construção.

Fonte: Metropoles.com