Funcionários de Joice Hasselmann afirmam que eram obrigados a produzir fake news

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Deputada Joice Hasselmann - Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Funcionários de Joice apresentaram áudios e mensagem à emissora CNN para comprovar que teriam sido obrigados por ela a criar perfis falsos

Por iG Atualizada às 05/06/2020 15:12

Funcionários da deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) afirmam que eram obrigados pela parlamentar a criar perfis falsos nas redes sociais para elogiá-la e também para atacar seus opositores. A informação foi divulgada na tarde desta sexta-feira (5) pela emissora CNN Brasil. A deputada negou as acusações em seu Twitter.

Os funcionários apresentaram mensagens e áudios em que eram orientados por Joice ou por assessores da parlamentar a criar esses perfis. Um funcionário alega que Joice usava dinheiro público para realizar essa produção de fake news, já que o salário dos funcionários era pago por dinheiro vindo da Câmara dos Deputados.

Uma pessoa, que afirma ter trabalhado para Joice por mais de um ano, alega que “com frequência” Joice exigia a criação desses perfis “e ainda cobrava que a gente enviasse para ela para provar que tava sendo feito”. “Teve uma época que ela pediu para a equipe toda fazer pelo menos cinco perfis em cada redes social”.

Em uma das conversas por WhatsApp, uma assessora de Joice pede que todos os funcionários criem perfis no Twitter , Facebook e Youtube e, em referência à deputada, diz que “ela vai monitorar”.

 Mensagem enviada por funcionária de Joice – Reprodução/CNN

Em um grupo de funcionários de Joice , um deles reforça o pedido da parlamentar de que “‘TODOS’ sem exceção, estejamos atentos as redes”. Ele escreve que “é para fazer sem mimimi” e “ou faremos o q ela quer, ou quem não fizer está fora”.

Em agosto de 2019, Joice pede, via WhatsApp, para que uma funcionária “coloca todos os perfis para trabalhar no Twitter fazendo comentários positivos sobre minha candidatura à prefeitura”.

Joice também escreve “você diz q tem trabalhado no Twitter e não estou vendo absolutamente nada”, “mande os links do q escrever” e “1 perfil apenas? Falei pra vc fazer vários”. A assessora afirma que tem dificuldade de criar novos perfis por ser necessário vincular a conta a um número de telefone.

 Mensagem de Joice em agosto de 2019 – Reprodução/CNN

A assessora, então, pergunta a um funcionário, por meio de áudio, se seria possível criar esses perfis tendo vários números de celular e, para isso, sugere criar CPFs falsos para poder cadastrar cada número telefônico.

“Acabou de me mandar mensagem questionando sobre isso e sobre a questão do Twitter. Acho que a gente tem que comprar chip mesmo e ver o que a gente faz”, disse a funcionária de Joice.

“É um site que gera CPFs que não são reais, e que dá para usar porque o CPF tem uma lógica, né? O número. Não dá simplesmente para gente colocar 123456. E aí esse site gera CPF e a gente pode cadastrar os chips com esses CPFs e não se fu…”, afirma no áudio.

O funcionário que alega que Joice usou dinheiro público para criar perfis nas redes afirma que “todos os funcionários de Brasília são pagos com verbas de gabinete dela. Então, a Câmara paga por esses perfis falsos”. Ele explica que “tem pessoas lá que recebem via nota fiscal, tem pessoas que recebem pelo próprio gabinete e tinha pessoas que recebiam pela liderança de governo”.

Ele também afirma que “eu nunca usei [ CPF falso ], mas eu sabia que dentro da equipe as pessoas tinham que criar e, se não me engano, tinha um software ou algum programa que fazia, que burlava esses CPFs para você poder criar. Eu nunca usei, não conheço, mas eu sei que tinha”.

“Ela recomendava a criação dos perfis fakes, mas não falava como criar. Ela falava para criar e queria resultados, se não tivesse resultados ela ia mandar embora toda a equipe dela de Brasília”.

Ao ser questionado sobre o motivo para a criação desses perfis, o funcionário afirma que era “ataques a pessoas que se opuseram a ela, depois que ela virou as costas para o presidente”. O trabalhador cita que os ataques eram direcionados a Bia Kicis, Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro.

Ele também conta que “todo material que foi usado na CPMI da fake news foi criado pela equipe dela”. No final do ano passado, Joice prestou depoimento na CPMI das fake news e afirmou que havia dentro do Planalto um esquema de disparo de fake news que envolvia a família do presidente Jair Bolsonaro. Ela chamou essa estrutura de “gabinete do ódio”.

Entre os materiais apresentados pelos funcionários, há um áudio em que Joice teria pedido para criar hashtags contra Kicis e um vídeo contra Zambelli . “A gente precisa criar uma hashtag ‘Beatriz, a sórdida’. Vou pro ataque com essa vagabunda” e “faz um videozinho bem curtinho aí e bota a cara da Carla com áudio e faz sarcasmo”, diz a parlamentar nos áudios.

Outro funcionário afirma que “serviços que eram prestados para a Joice eram sempre de montagem de vídeos e criação de narrativas, uma notícia falsa sem saber se era, de fato, verdadeira. A gente criava as narrativas em cima dessas notícias”.

Em seu Twitter, Joice negou as acusações, confira: